Assassinados pelo fascismo
Numa altura em que nos querem fazer crer que o fascismo nunca existiu, e que Salazar era apenas «autoritário», numa altura em que querem apagar os poucos vestígios físicos que ainda existem, convém relembrar que o seu braço mais sinistro, a PVDE-PIDE-DGS, bem como outros braços armados do fascismo, perseguiram, torturaram e assassinaram muitos portugueses e patriotas africanos, e que os seus responsáveis e agentes nunca foram punidos nem sequer julgados.
Para reavivar a memória, publicamos aqui excertos adaptados de um texto intitulado Cem Vítimas do Fascismo que inclui uma lista de algumas das pessoas assassinadas pelo fascismo. Esse texto foi inicialmente distribuído no 1º de Maio de 1994 como Suplemento da revista Política Operária nº 44, Abril–Maio 1994 e posteriormente divulgado pela Comissão «Abril Revolucionário e Popular» no 25 de Abril de 2002.
9 de Dezembro de 2005
A Página Vermelha
paginavermelha.org
1929
- Dezembro: Joaquim António Pereira, 33 anos, servente de pedreiro e encadernador, de Sesimbra, morre à fome e vítima de maus-tratos no inóspito presídio de Batugadé (Timor)
1930
- Manuel João, 43 anos, padeiro, morre sem assistência médica em Cabo Verde, para onde fora deportado
1931
- 28 Abril: João Martins Branco, 19 anos, estudante, de Espinho, é assassinado durante um assalto policial a uma reunião de estudantes no Porto de protesto contra a ditadura e a situação nas universidades
- 1 Maio: 4 pessoas são assassinadas em Lisboa pelas forças policiais durante as comemorações do 1º de Maio:
- Armando Gomes da Silva, 23 anos, empregado de comércio
- José Dias da Costa Pereira, 30 anos, servente de pedreiro em Lisboa
- Luís Guerra Correia, 34 anos, empregado da Shell
- Manuel Coelho, 47 anos, proprietário
- 7 Dezembro: Afonso de Moura, 33 anos, cerâmico anarquista, de Coimbra, morre deportado em Cabo Verde
1932
- 8 Janeiro: Alberto de Almeida, 25 anos, pintor, de Viseu, morre vitimado pela biliosa em Timor, onde estava deportado
- 4 Setembro: Alfredo Ruas, 24 anos, padeiro, de Arcos de Valdevez, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Alcântara (Lisboa) de celebração do Dia da Juventude
- Armando Ramos, 33 anos, operário gráfico, morre em consequência dos espancamentos da Polícia Internacional
1933
- 2 Julho: Joaquim Lopes Martins, 22 anos, padeiro, de Arganil, morre em Lisboa em consequência de maus-tratos policiais e prisionais
- 1 Novembro: José Pinto dos Santos, 27 anos, marceneiro, de Ovar, morre na sequência de maus-tratos
- Carlos Norberto de Oliveira morre em consequência das torturas que sofreu às mãos das autoridades policiais
- João Ferreira de Abreu, 30 anos, serralheiro e membro do PCP, de Lisboa, morre vítima de tortura na Sede da Polícia de Informações
1934
- 17 Fevereiro: Fernando Pedro Gil, 19 anos, operário conserveiro, de Setúbal, é assassinado pela PSP durante a repressão de uma manifestação em Setúbal
- 16 Março: Américo Gomes, 22 anos, ajudante de caldeireiro, de Lisboa, morre incomunicável na Penitenciária de Lisboa após 14 meses de cativeiro
- Morrem no Aljube:
- 5 Abril: Júlio dos Santos Pinto, 22 anos, caldeireiro, de Lisboa, assassinado à pancada por agentes da PVDE, no âmbito da repressão do «18 de Janeiro»
- 23 Abril: Manuel Vieira Tomé, 47 anos, dirigente sindical ferroviário, de Tomar, torturado até à morte pela PVDE, no âmbito da repressão do «18 de Janeiro»
- 8 Maio: Victor da Conceição, 40 anos, funcionário público, de Lisboa, por falta de assistência médica
- 30 Outubro: Aurélio Dias, 30 anos, fragateiro, de Constância, morre após vários dias de tortura na Penitenciária de Lisboa
- Fernando Matias Rodrigues, 40 anos, funcionário público, morre na Penitenciária de Lisboa, vítima de violência e maus-tratos sofridos às mãos das autoridades
1935
- 28 Julho: Adalberto Gastão de Sousa Dias, 69 anos, general, de Chaves, morre deportado no Mindelo (Cabo Verde)
- 24 Outubro: António Albino, 51 anos, motorista, de Ferreira do Zêzere, morre no Hospital de São José em Lisboa, onde estava detido e internado desde 1933
- 13 Novembro: Francisco de Sousa, 22 anos, pescador de Peniche, é assassinado pela GNR numa manifestação em Peniche durante a «Revolta dos Mestres» ou «Revolta das Espoletas»
- Joaquim de Carvalho, ferroviário, preso no âmbito do «18 de Janeiro», morre logo após ter sido posto em liberdade
- Manuel Esteves Carvalho, 27 anos, operário vidreiro, da Marinha Grande, preso por envolvimento na organização do «18 de Janeiro», morre no Hospital de Leiria, transportado de uma esquadra da PSP
1936
- 30 Julho: Francisco da Cruz, 26 anos, operário vidreiro, da Marinha Grande, deportado do «18 de Janeiro», morre vítima de maus-tratos no Hospital Militar de Angra do Heroísmo, transferido da Prisão de Angra
- Setembro: Manuel Pestana Garcês, vendedor ambulante, detido e deportado para os Açores por participação na «Revolta do Leite» de Agosto de 1936 na Madeira, foi assassinado durante a tortura por agentes da PVDE na Prisão do Lazareto (Funchal), conhecida como o «Forno»
- 22 Setembro: José Machado e Melo, 45 anos, sapateiro, de Ponta Delgada, morre no Hospital Militar de Angra do Heroísmo, transferido da Prisão de Angra
- 13 Novembro: Carlos Alberto da Silva, 34 anos, funileiro, do Porto, morre no Hospital Geral de Santo António, vítima de violência e maus-tratos sofridos durante a prisão
- 13 Dezembro: Emídio Bandeira, 56 anos, comerciante, de Mangualde, morre no Hospital de São José (Lisboa), vítima de tortura, transferido de «uma esquadra incomunicável» da PVDE
- Inácio Severino Melo Bandeira, 54 anos, militar, de Viseu, morre deportado em Cabo Verde
1937
- 1 Janeiro: Abílio Sousa Marques, 25 anos, encadernador, das Caldas da Rainha, morre no Hospital Curry Cabral (Lisboa), transferido do Aljube
- 20 Fevereiro: Manuel Martins, 34 anos, empregado comercial, do Porto, morre no «Aljube do Porto», vítima de maus-tratos
- 21 Abril: Ernesto Faustino, operário, é assassinado por agentes da PVDE
- 29 Julho: Manuel Salgueiro Valente, 55 anos, tenente-coronel de infantaria, de Lisboa, morre na Prisão de Caxias, vítima dos interrogatórios, das más condições e dos maus-tratos
- 31 Julho: Carlos Eugénio Tavares, jornaleiro de Ponta Delgada, morre na Prisão de Angra
- 23 Agosto: José Lopes da Silva, 29 anos, operário e pintor, anarquista, de Tomar, sucumbe à tortura na Sede da PVDE, no âmbito da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar de 4 de Julho de 1937
- 24 Setembro: Augusto d’Almeida Martins, 23 anos, operário caldeireiro, de Lisboa, morre durante a tortura na Sede da PVDE, apenas 3 horas após a chegada ao local, no âmbito da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar
- 15 Outubro: Alberto Sernadas, 49 anos, vendedor de jornais, do Porto, morre no Hospital Geral de Santo António, Porto, em consequência de maus-tratos e tortura
- Neste ano morrem no Tarrafal sete antifascistas, todos da 1ª leva que inaugurara o campo menos de um ano antes, 6 deles no espaço de 7 dias, devido a febres e maus-tratos e ao criminoso abandono a que foram votados pelos dirigentes do campo, o capitão Manuel Martins dos Reis e o médico assistente Esmeraldo Prata:
- 20 Setembro: Francisco José Pereira, 29 anos, 1.º artilheiro marinheiro, de Lisboa
- 20 Setembro: Pedro de Matos Filipe, 32 anos, estivador e sindicalista, de Almada
- 22 Setembro: Augusto Costa, 36 anos, operário vidreiro, de Marrazes (Leiria)
- 22 Setembro: Francisco Domingues Quintas, 47 anos, industrial talhante, de Grijó
- 22 Setembro: Rafael Tobias Pinto da Silva, 26 anos, relojoeiro, de Lisboa, morre num estado de grande sofrimento, tendo sido levado para a morgue ainda com vida
- 26 Setembro: Cândido Alves Barja, 27 anos, marinheiro e primeiro atirador, de Castro Verde
- 29 Outubro: Abílio Augusto Belchior, 39 anos, operário marmorista, de Urros (Moncorvo), vítima de febres e maus-tratos
1938
- Morrem no Tarrafal:
- 21 Janeiro: Francisco Nascimento Esteves, 23 anos, torneiro de metais, de Lisboa
- 27 Março: Arnaldo Simões Januário, 40 anos, barbeiro e dirigente anarco-sindicalista, de Coimbra, vitimado pela biliosa e sem qualquer assistência médica ou medicamentosa
- 1 Dezembro: Alfredo Caldeira, 30 anos, pintor decorador e dirigente do PCP, de Lisboa, vitimado pela biliosa, após lenta agonia sem assistência médica
- 30 Janeiro: António Mano Fernandes, 27 anos, estudante, de Coimbra, morre nos Hospitais da Universidade de Coimbra, transferido no dia anterior do Forte de Peniche. São responsáveis pela morte o tenente Marques, director do Forte, e o tenente Mouga, médico, ambos da PVDE, que lhe recusam assistência médica apesar de saberem que sofria de doença cardíaca.
- 10 Fevereiro: Rui Ricardo da Silva, 21 anos, carpinteiro do Arsenal, de Lisboa, morre no Hospital de S. José, transferido do Aljube, 3 dias após ter sido levado agonizante da Prisão de Angra. Preso em Julho de 1936, contraíra tuberculose depois de ter sido espancado a cavalo-marinho durante 8 horas consecutivas pelos agentes da PVDE Paula, Antero, Francisco Dias, José Diogo, Mário e Gomes.
- 11 Março: José Duarte, 60 anos, sapateiro, de São Martinho da Cortiça (Arganil), morre no Hospital Militar de Angra do Heroísmo, Açores, estando no degredo na Prisão de Angra
- 22 Maio: Manuel José Barbosa, jornaleiro, de Vila da Feira, morre no Hospital de Santo António do Porto, vítima de maus-tratos às mãos da PVDE
- 21 Julho: Adelino Marques de Andrade, 44 anos, comerciante, de Santarém, morre no Hospital Dona Estefânia, transferido do Aljube
- 25 Julho: Jacinto Estêvão de Carvalho, 30 anos, jornaleiro e servente, de Alenquer, morre na sequência de brutais interrogatórios e espancamentos em que foi amordaçado, chicoteado, agredido com cavalo-marinho e uma tábua, durante a detenção pela PVDE, a qual tentou ocultar o óbito com o simulacro da sua restituição à liberdade
- 25 Setembro: Joaquim José da Silva, 62 anos, proprietário, de Faro, morre a caminho do Hospital de São José, depois de detido pela PVDE
- 17 Novembro: Porfírio Joaquim Catarino, 36 anos, jornaleiro, de Vilarinho da Castanheira, morre na Cadeia Civil de Bragança, vítima de violência policial. Fora detido pela PVDE a 26 de Outubro por alegada «tentativa de alteração da ordem pública», juntamente com António Augusto Duque, que morrerá 13 dias depois.
- 20 Novembro: Francisco Esteves, 20 anos, operário torneiro, de Lisboa, morre na Sede da PVDE na sequência das torturas infligidas
- 30 Novembro: António Augusto Duque, 56 anos, jornaleiro, de Vilarinho de Castanheira, morre no Hospital da Misericórdia, transferido da Cadeia Civil de Bragança, vítima de maus-tratos
1939
- 7 Janeiro: Alexandre Rodrigues Morgado, 52 anos, trabalhador rural, de Soure, morre no Hospital de São José em Lisboa, transferido do Aljube
- 3 Maio: José Maires, 26 anos, empregado de comércio, de Lamares, morre no Hospital Curry Cabral, transferido do Aljube, em resultado de maus-tratos prisionais
- 15 Maio: São assassinados em Válega (Ovar) pelas forças policiais, durante uma acção popular contra o arranque das videiras «americanas» pelas autoridades:
- Jaime da Costa, 18 anos, pedreiro, de Ovar
- Manuel Maria Valente de Pinho, 38 anos, agricultor, de Ovar
- 19 Dezembro: Fernando Alcobia, 25 anos, vendedor de jornais e militante do PCP, de Lisboa, morre no Tarrafal sem qualquer tratamento médico, vítima da biliosa e de maus-tratos
1940
- 22 Janeiro: António Augusto Dias Antunes, 64 anos, militar, de Castelo Branco, morre deportado em Timor
- 22 Janeiro: António Catarino Rebelo, serrador, de Elvas, morre no Hospital Curry Cabral, transferido do Aljube
- 30 Maio: Manuel Joaquim Nogueira, 46 anos, comerciante, de Vila Real, morre no Hospital Civil de Angra do Heroísmo, transferido da Prisão de Angra
- Morrem no Tarrafal, onde é agora director o capitão Olegário Antunes:
- 7 Julho: Jaime da Fonseca e Sousa, 38 anos, impressor e membro do PCP, de Lisboa, devido aos maus-tratos e após vários dias em coma
- 11 Agosto: Albino Coelho Júnior, 43 anos, motorista, de Lisboa
- 12 Outubro: Mário dos Santos Castelhano, 44 anos, histórico dirigente anarco-sindicalista, de Lisboa, vitimado pela negação de assistência médica e pelas más condições de higiene
1941
- Morrem no Tarrafal:
- 3 Janeiro: Jacinto de Melo Faria Vilaça, 26 anos, marinheiro, de Lisboa
- 23 Setembro: Casimiro Júlio Ferreira, 32 anos, funileiro, de Lisboa
- 22 Outubro: Albino António de Oliveira de Carvalho, 56 anos, comerciante no Alvito (Tomar), da Póvoa do Lanhoso
- 3 Novembro: António Guedes Oliveira Silva, 40 anos, motorista, de Vila Nova de Gaia
- 8 Dezembro: Ernesto José Ribeiro, 30 anos, servente de pedreiro, de Chelas (Lisboa)
- 12 Dezembro: João Lopes Dinis, 37 anos, canteiro, de Sintra
- 24 Agosto: Manuel Francisco da Silva, 41 anos, pedreiro, de Lisboa, morre na Prisão de Angra, para onde fora deportado em 1933
- 1 Setembro: José Francisco Garcia, 25 anos, trabalhador, de Coruche, morre no Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), vítima de maus-tratos durante a prisão pela PVDE
- 27 Novembro: António Luís Lourenço da Costa, 58 anos, fotógrafo desenhador e cinéfilo, de Angra do Heroísmo, morre na Prisão de Angra
- 20 Dezembro: Felisberto Fernandes Berto, 28 anos, operário têxtil, de S. Martinho (Covilhã), morre no Hospital do Desterro, transferido do Depósito de Presos de Caxias
1942
- Morrem no Tarrafal, onde ainda é director o capitão Olegário Antunes:
- 7 Janeiro: Henrique Vale Domingues Fernandes, 28 anos, grumete de manobras, de Lisboa
- 11 Setembro: Bento António Gonçalves, 40 anos, torneiro mecânico no Arsenal da Marinha e Secretário-Geral do PCP, de Fiães do Rio (Montalegre), morre por falta de tratamento médico, após 10 anos de prisões e deportação
- 11 Novembro: Damásio Martins Pereira, 37 anos, servente, de Lisboa
- 28 Dezembro: António de Jesus Branco, 36 anos, descarregador portuário, de Carregosa
- 4 Julho: António Carlos Ferreira Soares, 39 anos, médico e destacado quadro do PCP, de Viana do Castelo, é assassinado no seu consultório em Nogueira da Regedoura com rajadas de metralhadora por agentes da PVDE. Os criminosos, Laranjeira, Leitão e Coimbra, alegam «legítima defesa». É director da PVDE o capitão Agostinho Lourenço.
- 5 Julho: José Joaquim Viegas Fuzeta, 46 anos, marítimo, de Olhão, morre no Hospital Dona Estefânia, transferido do Aljube
- 26 Setembro: João Marques, 43 anos, trabalhador, de Vila de Rei, morre na Casa de Saúde do Telhal, transferido da Prisão de Caxias
- 20 Dezembro: Fernando Óscar Gaspar, 26 anos, cortador e salsicheiro, de Lisboa, morre no regresso da deportação nos Açores, vítima da tuberculose contraída durante a deportação
1943
- Morrem no Tarrafal, onde é director o capitão Filipe de Barros:
- 13 Janeiro: Paulo José Dias, 39 anos, fogueiro marítimo, de Lisboa, vitimado pela tuberculose
- 14 Fevereiro: Joaquim Montes, 30 anos, corticeiro anarquista, de Almada, vitimado pela biliosa, detido no âmbito da repressão do «18 de Janeiro»
- 11 Junho: José Manuel Alves dos Reis, 49 anos, marceneiro, de Setúbal
- 15 Novembro: Francisco do Nascimento Gomes, 34 anos, condutor, do Porto
- 7 Janeiro: António [37 anos], Júlio e Constantina, filhos de Rosa Pereira Coelho [por vezes erradamente identificada como Rosa Morgado], moleira, de Espinhel (Águeda), são assassinados a tiro pela GNR no Gravanço (Águeda)
- 5 Abril: João António Barbosa Gomes Neto, 49 anos, empregado de comércio, de Lisboa, morre no Aljube
- 11 Junho: Manuel Pinto Ribeiro, 26 anos, padeiro, de Resende, morre no Hospital Geral de Santo António no Porto, após ter sido violentamente torturado pela PVDE
- 28 Agosto: Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamentos sofridos um mês antes no Governo Civil, sob a direcção do inspector Pedreira da PVDE, durante a repressão de uma greve em Agosto na região de Lisboa
- 2 Setembro: José Vicente da Silva Costa, 35 anos, sapateiro, de Beja, morre no Manicómio Miguel Bombarda, onde estava à ordem da Secção de Defesa Política e Social da PVDE
- Dezembro: Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris, do Porto, morre em Lisboa durante a tortura pela PVDE
1944
- 13 Maio: Francisco Ferreira Marquês, 30 anos, empregado de escritório e militante do PCP, de Évora, é entregue pela PVDE na morgue após mês e meio de incomunicabilidade no Aljube e na Prisão de Caxias, alegando que ele se teria enforcado. O relatório da autópsia não revela sinais de asfixia, mas lesões internas na região da bacia e contusões na cabeça, no corpo e num testículo.
- 13 Junho: Edmundo Gonçalves, 44 anos, 2.º sargento, de Lisboa, morre tuberculoso no Tarrafal
- 24 Julho: Uma mulher e uma criança são assassinados a tiro de metralhadora durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente); mais 40 camponeses são feridos a tiro
1945
- 20 Fevereiro: Joaquim Luís Teixeira Magalhães, 25 anos, serralheiro, marítimo e canalizador, de Miragaia (Porto), morre no Hospital Curry Cabral em resultado dos maus-tratos sofridos no Aljube
- 14 Março: Luís Montero Gamero, 39 anos, empregado de escritório, de Albuquerque (Espanha), morre no Hospital de São José, transferido da Prisão de Caxias
- 28 Maio: Germano Vidigal, 32 anos, operário, de Évora, é assassinado após 3 dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo. Golpes de cavalo-marinho, cortes nas costas e feridas profundas na cabeça, espancamentos vários fizeram parte das sevícias sofridas e o relatório da autópsia assinala esmagamento dos testículos. Os assassinos são os agentes da PVDE Carrilho e Barros e os cabos da GNR Pinto e Inácio. Levantado do chão, de José Saramago, é dedicado à memória de Germano Vidigal e de José Adelino dos Santos (assassinado em 1958).
- 3 Junho: Manuel Augusto da Costa, 58 anos, pedreiro, de São Martinho da Anta (Sabrosa), morre no Tarrafal após 30 dias na «frigideira»
- 4 Julho: Alfredo da Assunção Diniz (Alex), 28 anos, operário traçador naval e dirigente do PCP, de Lisboa, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas por agentes da PVDE. Os assassinos foram o inspector Fernando Gouveia, o chefe de brigada José Gonçalves e os agentes Mário Constâncio e José Baptista da Silva.
- Outubro: José António Companheiro, 24 anos, operário canteiro, de Matriz (Borba), morre de tuberculose, consequência dos maus-tratos da PVDE na prisão
- 19 Novembro: Henrique Joaquim Fernandes, 31 anos, operário fabril, de Vera Cruz (Aveiro), morre no Hospital de Santo António dos Capuchos, transferido do Aljube
- Raúl dos Santos Pimenta, 36 anos, caldeireiro, de Lisboa, morre na Penitenciária de Coimbra
1946
- 19 Maio: Manuel Simão Júnior, 32 anos, operário corticeiro, de Silves, morre em resultado dos maus-tratos e das violências sofridas após 12 anos de prisão e deportação
- Agosto: Joaquim Correia, 30 anos, operário litógrafo, do Porto, morre após 15 meses de prisão com bárbaros espancamentos pela PIDE
1947
- 22 Maio: Amadeu Ferreira Piedade, 53 anos, praticante de contabilidade, de Condeixa-a-Nova, morre no Asilo Psiquiátrico Miguel Bombarda, depois de ter estado detido no Aljube e no reduto norte da Prisão de Caxias
- 20 Junho: José António Patuleia, 39 anos, assalariado rural, de São Romão (Vila Viçosa), morre no Aljube, após os espancamentos sofridos no 3º piso da Sede da PIDE. Responsáveis pela tortura e espancamentos: o verdugo Fernando Gouveia e o chefe de brigada Mário Silva.
- 24 Dezembro: José Garcia Marques Godinho, 66 anos, general, de Galveias, morre no Hospital Militar (Lisboa), transferido da Prisão Militar da Trafaria devido a graves problemas de saúde e maus-tratos prisionais. Responsável directo pela morte, por ter agido contra os pareceres médicos: o general Fernando Santos Costa, ministro da Guerra.
1948
- 27 Maio: Antenor da Costa Cruz, 47 anos, comerciante, de Leça da Palmeira, morre durante os interrogatórios nos calabouços da PSP no Funchal
- 5 Novembro: José Vaz Rodrigues, 41 anos, empregado de comércio e serralheiro mecânico, de Corte do Pinto (Mértola), morre na Penitenciária de Coimbra, condenado por participação no atentado a Salazar
- Morrem no Tarrafal, onde é director o capitão David Prates da Silva:
- 22 Agosto: Artur de Oliveira, 49 anos, pedreiro, de Beja
- 3 Novembro: Joaquim Marreiros, 38 anos, grumete de manobras da Armada, de Lagos, após 12 anos de cativeiro
- 28 Dezembro: António Guerra, 35 anos, operário vidreiro, da Marinha Grande, preso no âmbito do «18 de Janeiro», encontrava-se gravemente doente e quase cego e fora levado do Tarrafal para a Prisão de Caxias mas, por ordem expressa de Salazar, foi novamente enviado para o Tarrafal, onde morreu pouco depois
1949
- 21 Janeiro: António Lopes de Almeida, 35 anos, operário vidreiro na Marinha Grande, de Lisboa, morre durante a tortura na Sede da PIDE
- João Luís Lopes Dinis, 45 anos, carteiro, morre vítima da ação repressiva do Estado Novo
1950
- 2 Janeiro: Militão Bessa Ribeiro, 53 anos, operário e dirigente do PCP, de Murça, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após 9 meses de incomunicabilidade. Cumprira 7 anos no Tarrafal, onde contraíra uma grave doença do fígado.
- 23 Janeiro: José Moreira, 37 anos, operário serralheiro, é assassinado na tortura na Sede da PIDE, no dia seguinte à sua prisão. O corpo foi atirado de uma janela do 3.º andar para o pátio, para simular suicídio. A família verifica na morgue que o corpo se encontrava desfigurado pelos espancamentos.
- 22 Maio: Venceslau Ferreira Ramos, 34 anos, modelador de cerâmica, de Avintes, é espancado até à morte na Sede da PIDE
- 4 Junho: Alfredo Dias Lima, 19 anos, assalariado rural, de Alpiarça, é assassinado a tiro por um praça da GNR durante uma manifestação em Alpiarça pelo aumento do salário diário
- 26 Junho: Carlos Alberto Rodrigues Pato, 29 anos, empregado bancário, de São João dos Montes (Vila Franca de Xira), morre na Prisão de Caxias, após ter sido brutalmente torturado
- 30 Julho: Fernando Mata, 65 anos, trabalhador, de Tondela, morre no Hospital de S. José, transferido do Forte de Peniche
- Alberto Araújo, 53 anos, comerciante, morre
- José Lopes, 44 anos, pintor da construção civil, de Lisboa, morre na Penitenciária de Coimbra
1951
- 1 Fevereiro: António Assunção Tavares, 28 anos, operário, de Vila Franca de Xira, morre em consequência dos maus-tratos e tortura
- 7 Maio: Gervásio da Costa, 34 anos, operário tecelão, de Fafe, morre com tuberculose, consequência das bárbaras torturas sofridas na Subdirectoria da PIDE no Porto
1953
- 21 Abril: Hermínio de Oliveira Simões, 38 anos, serralheiro, de Pombalinho (Golegã), morre no Hospital de São José, transferido da Prisão de Caxias
- Jorge dos Santos, 32 anos, marceneiro, morre
1954
- 19 Maio: Catarina Efigénia Sabino Eufémia, 26 anos, ceifeira, de Baleizão, grávida e com uma filha nos braços, é assassinada à queima-roupa pelo tenente Carrajola, da GNR, durante um protesto de jornaleiros em Baleizão
1956
- Senén Vásquez Albela, 43 anos, ex-sargento, de Vigo (Galiza), morre na Penitenciária de Lisboa
1957
- 11 Fevereiro: José Marques Centeio, 22 anos, assalariado rural, de Alpiarça, é assassinado por atropelamento por uma viatura da PIDE
- 14 Fevereiro: Joaquim Lemos de Oliveira, 48 anos, barbeiro, de Fafe, morre na Subdirectoria da PIDE no Porto após 15 dias de tortura pelo subdirector Costa Pereira e outros PIDEs. A tortura incluiu privação do sono, sovas a pontapé, socos e cavalo-marinho e 9 dias de «estátua». A polícia atribuiu a morte a asfixia, mas o cadáver apresentava ferimentos em todo o corpo.
- 2 Março: Manuel Fiúza da Silva Júnior, 69 anos, estucador e editor anarquista, de São João da Ribeira (Viana do Castelo), morre durante a tortura na Subdirectoria da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado pela PIDE às escondidas num cemitério do Porto. Fora detido pela sua participação na denúncia da morte de Joaquim Lemos de Oliveira.
1958
- 23 Junho: José Adelino dos Santos, 45 anos, assalariado rural, de Santiago do Escoural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Montemor-o-Novo em que vários outros trabalhadores são feridos a tiro
- 31 Julho: Raul Alves, 44 anos, operário soldador, de Vialonga, após 15 dias de tortura é lançado de uma janela do 3.º andar da Sede da PIDE, morte testemunhada pela esposa do embaixador do Brasil, entre outras pessoas
1961
- 11 Novembro: Cândido Martins dos Santos Capilé, 28 anos, operário corticeiro, de Silves, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação da Cova da Piedade para Almada, contra a «burla eleitoral»
- 19 Dezembro: José António Dias Coelho, 38 anos, artista plástico e dirigente do PCP, de Pinhel, é assassinado à queima-roupa na então Rua da Creche [hoje Rua José Dias Coelho] em Lisboa pelo agente da PIDE António Domingues e pelos cúmplices, os agentes Manuel Lavado e Pedro Ferreira. As músicas A Morte Saiu à Rua, de Zeca Afonso, e Flor da Vida, do grupo Trovante, são-lhe dedicadas.
1962
- 28 Abril: São assassinados a tiro pela GNR durante uma manifestação em Aljustrel:
- António Graciano Adângio, 27 anos, mineiro
- Francisco Madeira, 41 anos, mineiro
- 1 Maio: Estêvão José Dangues Giro, 25 anos, operário tipógrafo, de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP na zona da Rua da Madalena e Largo do Caldas, durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa
- 21 Agosto: Belmira da Conceição Gonçalves, 17 anos, estudante, da Lombada da Ponta do Sol (Funchal), é assassinada pela PSP no Cabo da Levada, na repressão das «Revoltas das Águas», na Madeira
1963
- 1 Maio: Agostinho da Silva Fineza, 46 anos, operário tipógrafo, da Ribeira Brava (Madeira), é assassinado na Avenida Duque de Loulé (Lisboa) pela PSP, sob indicação de agentes da PIDE, durante a repressão das manifestações do 1º de Maio de 1963
1964
- 1 Maio: David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE à civil durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa
- Francisco Brito, acusado de deserção da guerra colonial, é assassinado a tiro pela GNR em Loulé
1965
- 13 Fevereiro: O general Humberto da Silva Delgado, 58 anos, de Boquilobo (Torres Novas), e a sua secretária Arajaryr Canto Moreira Campos, 34 anos, do Rio de Janeiro (Brasil), são assassinados a tiro pela PIDE numa cilada perto de Vila Nueva del Fresno (Espanha). Os assassinos são o inspector Rosa Casaco, o sub-inspector Ernesto Lopes Ramos e os chefes de brigada Casimiro Monteiro e Agostinho Tienza
1966
- Vítor Agostinho Pedroso Leitão, 42 anos, sapateiro, de Montelavar (Sintra), morre em resultado da tortura, pouco tempo após ter sido libertado do Forte de Peniche a 21 de Junho de 1966
1967
- 19 Junho: Manuel Agostinho Góis, 42 anos, trabalhador agrícola, de Cuba, morre vítima de tortura da PIDE
- 26 Agosto: Francisca Maria Colaço, 29 anos, trabalhadora agrícola, morre assassinada por agentes da PIDE numa casa clandestina perto de Benfica (Lisboa)
1968
- 23 Janeiro: Luís António Firmino, 50 anos, serrador, de Lavre (Montemor-o-Novo), morre no Hospital-Prisão de Caxias, vítima da tortura e maus-tratos da PIDE
- Abril: Herculano Augusto, trabalhador rural, é assassinado à pancada na esquadra da PSP de Lamego, por condenar publicamente a guerra colonial
- 24 Outubro: Daniel Joaquim Campos de Sousa Teixeira, 22 anos, estudante, de Lisboa, morre em incomunicabilidade na Prisão de Caxias, após agonizar durante uma noite sem assistência médica. É director da prisão o inspector da PIDE Gomes da Silva.
1969
- 3 Fevereiro: Eduardo Chivambo Mondlane, 48 anos, presidente da FRELIMO, de Manjacaze (Gaza, Moçambique), é assassinado em Dar Es Salaam (Tanzânia) num atentado à bomba organizado pela PIDE e levado a cabo por Casimiro Monteiro
1972
- 12 Outubro: José António Leitão Ribeiro Santos, 26 anos, estudante de Direito e militante da FEM-L (organização estudantil do MRPP), de Lisboa, é assassinado a tiro durante uma reunião no ISCEF (actual ISEG) de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão. O assassino, o agente da PIDE-DGS Coelho da Rocha, viria a estar detido no Estabelecimento Prisional de Alcoentre após o 25 de Abril de 1974, mas escaparia a 29 de Junho de 1975 na «fuga-libertação» dos PIDEs.
1973
- 20 Janeiro: Amílcar Lopes da Costa Cabral, 48 anos, dirigente da luta de libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde, de Bafatá (Guiné-Bissau), é assassinado em Conacri por um bando mercenário chefiado por Alpoim Galvão, a soldo da PIDE-DGS
1974
- 25 Abril: Agentes da PIDE-DGS, acoitados na sua Sede em Lisboa, disparam sobre a multidão, ferindo duas dezenas de pessoas e assassinando:
- Fernando Carvalho Giesteira, 18 anos, empregado de mesa, de Montalegre
- Fernando Luís Barreiros dos Reis, 23 anos, soldado, de Lisboa
- João Guilherme Rego Arruda, 20 anos, estudante, de São Miguel (Açores)
- José James Harteley Barneto, 38 anos, escriturário, de Vendas Novas
A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PVDE-PIDE-DGS, GNR e PSP em outros locais de repressão. Mas ainda podemos referir: duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento indiscriminado da cidade do Porto ordenado pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927; dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, às ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico; dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas de mortos na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931; um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene; um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos «Viriatos» na guerra civil de Espanha e à entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas; dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953; muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE-DGS, da OPVDCA, dos «Flechas», etc.
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LEGENDA
- «18 de Janeiro» = A Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro de 1934, de que resultaram muitas prisões e pelo menos 6 pessoas assassinadas, aqui registadas
- Aljube = Cadeia do Aljube (agora Museu do Aljube Resistência e Liberdade), Rua de Augusto Rosa, 42, Lisboa
- Forte de Peniche = Prisão do Forte de Peniche
- Prisão de Angra = Prisão da Fortaleza de São João Baptista, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores
- Prisão de Caxias = Forte-Prisão de Caxias, formalmente Forte D. Luís I, Caxias, Oeiras
- Sede da PVDE-PIDE-DGS = Rua António Maria Cardoso, 22, Lisboa
- Subdirectoria da PIDE no Porto = Rua do Heroísmo, 345, Porto
- Tarrafal = Campo de Concentração do Tarrafal, ou Campo da Morte Lenta, oficialmente Colónia Penal de Cabo Verde (1ª fase, 1936–54) e Campo de Trabalho de Chão Bom (2ª fase, 1961–74), ilha de Santiago, Cabo Verde
Nota da PV: O regime fascista imposto pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926 começou de imediato a criar polícias de repressão: Polícia de Informações de Lisboa (1926–1928), Polícia de Informações do Porto (1927–1928), Polícia de Informações do Ministério do Interior (PIMI, 1928–1931, absorvendo as 2 anteriores) e Polícia Internacional Portuguesa (PIP, 1928–1933). Com a chegada de Salazar à chefia do governo em 1932 é criada a Polícia de Defesa Política e Social (PDPS, 1932–1933). Depois, toda a repressão é concentrada na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, 1933–1945, resultado da fusão da PIP e da PDPS), a qual viria a mudar o nome para Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE, 1945–1969) e posteriormente para Direcção-Geral de Segurança (DGS, 1969–1974), numa tentativa de mudança de imagem na fase final do fascismo, que não resultou porque continuou a ser conhecida como PIDE-DGS.
Nota da PV (20/01/2026): Foram acrescentados alguns nomes e foram feitas algumas correcções com base nas fichas biográficas compiladas pelo Centro de Documentação do Museu do Aljube e noutras fontes.