Do sítio do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 9 de fevereiro de 2026 e em castelhano a 11 de fevereiro de 2026)

Trump prepara o terreno para roubar as próximas eleições:
A necessidade de derrotar o fascismo, o potencial para a revolução

Agentes do FBI invadiram um posto eleitoral
Agentes do FBI invadiram um posto eleitoral no Centro de Operações e Centro Eleitoral do Condado de Fulton, em Union City, Geórgia, 28 de janeiro de 2026 (Foto: AP)

Para fazer a revolução, são necessárias três condições. Nas palavras de Bob Avakian (BA) [inglês/castelhano], a primeira é a seguinte:

Uma crise na sociedade e no governo tão profunda e tão perturbadora da “maneira habitual de fazer as coisas”, que aqueles que nos têm governado, há tanto tempo, não o possam continuar a fazer da maneira “normal” que as pessoas foram condicionadas a aceitar.

Todas as semanas, o regime fascista de Trump aprofunda esta primeira condição. E, na semana passada, tanto o regime como o próprio Trump deram saltos importantes para subverter o que é considerado uma das principais formas como “as pessoas foram condicionadas a aceitar” o domínio opressor e explorador do capitalismo-imperialismo norte-americano: as eleições norte-americanas.

Estes fascistas acreditam profunda e fanaticamente que só eles são os governantes legítimos deste sistema e estão a trabalhar ativamente para trapacear e roubar as próximas eleições, sem violência se puderem, mas através da violência se necessário. O que é requerido com urgência são milhões de pessoas decididas a arrancar um futuro habitável para a humanidade fora desta situação extremamente volátil e perigosa.

Trapaça eleitoral, ameaças violentas e ensaios gerais

Desde que Trump foi impedido de roubar as eleições de 2020, apesar de uma campanha multifacetada que na realidade chegou muito perto do sucesso, ele e quem está à volta dele têm trabalhado ativamente para roubar as próximas eleições. No primeiro dia de Trump no cargo [de Presidente dos EUA], Trump indultou cerca de 1500 insurrectos que tinham invadido violentamente o Capitólio a 6 de janeiro de 2021 para anularem os resultados das eleições de 2020. Em agosto de 2025, Trump pediu aos governadores fascistas que redesenhassem os mapas eleitorais de modo a favorecer abertamente os fascistas. Ele tem trabalhado para refazer o modo como as eleições norte-americanas são levadas a cabo e tem feito ameaças repetidas de se apresentar a um terceiro mandato [inglês/castelhano].

Isto tem-se intensificado nas duas últimas semanas.

Esta semana, Trump ameaçou repetidamente tomar o controlo das eleições a nível federal. Isso seria uma grande violação e rutura com a própria Constituição dos EUA, que estipula que os estados supervisionam as eleições.

Por duas vezes disse que “os republicanos deveriam nacionalizar o voto”. E chegou ao extremo de detalhar qual o tipo de lugares que deveriam ser “tomados”, referindo as cidades de Filadélfia, Detroit e Atlanta como sendo incapazes de realizar eleições justas por serem todas “incrivelmente corruptas”. Todas estas cidades são de maioria negra e latino-americana, e maioritariamente democratas.

A 3 de fevereiro, o arquiteto e ideólogo fascista Steve Bannon disse: “Vamos ter o ICE a cercar as urnas em novembro.” E, dirigindo-se aos democratas, disse: “Não vamos ficar aqui sentados e permitir que vocês roubem novamente o país. Podem lamentar, chorar e atirar tudo o que quiserem, mas nunca mais permitiremos que umas eleições sejam roubadas.”

Um salto nesta ofensiva ocorreu a 28 de janeiro quando o FBI invadiu um posto eleitoral no Condado de Fulton, no Estado da Geórgia, e apreendeu 700 caixas de votos das eleições de 2020.1 A meio dessa operação, o próprio Trump falou por telefone com os agentes do FBI para lhes fazer perguntas e os louvar por fazerem parte dessa ultrajante operação. Este tipo de intervenção direta do comandante-em-chefe fascista não tem precedentes.

Ao analisar o que realmente se estava a passar com isso, Marc Elías, um advogado eleitoral dos democratas, disse:

Isto não é apenas negacionismo eleitoral [dos resultados] de 2020, (...) isto tem a ver com uma prova de conceito para o futuro. As pessoas falam em apreender votos, cercar locais de voto e roubar eleições como se, de alguma forma, essas coisas fossem fáceis de fazer. Trata-se de quadros conceituais com os quais as pessoas na administração se têm de familiarizar, quadros morais com os quais têm de se sentir confortáveis. Têm de lidar com a Constituição, a lei, os juízes e tudo o resto, mas também têm de lidar com a logística pura e dura. Como se faz isso na prática, quando os votos estão na posse de um funcionário do condado? Como é que se consegue obtê-los e como é que eles são contados de uma forma que lance dúvidas sobre os resultados ou dúvidas sobre os resultados através de outras campanhas de propaganda e desinformação? E creio que o que está a acontecer na Geórgia tem tanto a ver com isto como com as eleições de 2020. E nesse sentido, temos de ser honestos: Donald Trump e o seu governo estão a consegui-lo. Eles realmente confiscaram votos. Eles realmente têm-nos nas mãos. (...) Ao final e ao cabo, Tulsi Gabbard esteve num caminhão cheio de votos que tinham sido apreendidos de um centro eleitoral. E que agora estão na posse do FBI de Trump…

Um dos lamentos de Trump em relação a 2020 é não ter confiscado as máquinas de voto e, numa entrevista recente, ele questionou abertamente se as tropas da Guarda Nacional seriam “suficientemente sofisticadas” para confiscar os votos nas próximas eleições.

Como brutal clímax da semana, Trump publicou um hediondo ataque racista a Barack e Michelle Obama, representando-os como símios, no meio de um vídeo em que mentia sobre as “eleições roubadas de 2020”. E, em todos estes ataques, há um ataque brutal e abertamente supremacista branco ao direito de voto dos negros e dos latino-americanos.

Tudo isto está a acontecer num contexto em que as decisões judiciais que são contra o regime de Trump são sistematicamente ignoradas e em que, na grande maioria dos casos que de facto chegam ao Supremo Tribunal dominado pelos fascistas, este decide a favor de Trump.

Eleições: Por que razão elas não significam nada...

O que aqui citámos é apenas a ponta do iceberg de uma avalanche de processos judiciais, propostas de legislação, chantagens e outras manobras dos fascistas para garantirem que os republicanos ou “ganham” as eleições (impedindo que quem se lhe opõe vote ou que os seus votos sejam contados), e/ou estão numa boa posição para alterarem os resultados das eleições caso os fascistas percam.

Toda esta situação é politicamente explosiva. Milhões de pessoas estão a opor-se ativamente a este regime em todos os cantos da sociedade. A Gestapo armada de Trump está a assassinar manifestantes sem remorsos. Ao mesmo tempo, Trump está ansioso por enviar os militares dos EUA para as ruas das cidades e continua a ameaçar executar os seus rivais políticos.

Num país que se baseou na “transferência pacífica do poder” como um dos elementos centrais que dá legitimidade a este sistema, desmantelá-la abertamente não é uma questão menor. Iremos falar mais adiante sobre este tema, mas primeiro vamos esclarecer o que são, e o que não são, as eleições.

Apesar da fachada de “liberdade e democracia”, as eleições nunca foram o processo através do qual são tomadas decisões neste sistema do capitalismo-imperialismo. Mas elas têm sido a base da razão pela qual as pessoas aceitam este sistema. É-lhes dito constantemente que se se opuserem apaixonadamente à supremacia branca e à opressão patriarcal das mulheres e das pessoas LGBT, se não apoiarem as deportações em massa e as guerras, se temerem a contínua destruição do meio ambiente... então devem votar em alguém que mude tudo isto. Mas devido a toda esta opressão estar tecida neste sistema do capitalismo e não ser possível eliminá-la sob este sistema, não pode haver nenhuma verdadeira mudança significativa através das eleições.

No entanto, as eleições fornecem a este sistema um suposto “mandato popular”. Dizem que as eleições expressam “a vontade do povo”. Mas a realidade é que em quem se vota e os temas que se ouve nos debates são pré-selecionados para servir os interesses desse mesmo sistema. Não se muda nem se “controla” este sistema através das eleições, mas as eleições são a forma como se controla, se confina e se canaliza as pessoas, tanto na sua maneira de pensar como de atuar.

Basta pensar nas eleições de 2024, onde não se pôde votar contra o genocídio em Gaza. Porque, por mais profundas que sejam as diferenças entre os Democratas e os Republi-fascistas, eles partilham uma unidade fundamental em relação à necessidade do seu império (ainda que, uma vez mais, tenham diferenças profundas e irreconciliáveis sobre como este império deve ser governado). E aconteça o que acontecer, o império norte-americano precisa de Israel para desempenhar um papel de cão de fila e posto avançado militar na região estratégica do Médio Oriente.

...e por que razão (por vezes) elas podem significar muito

Revolution 83
Lê em castelhano ou ouve em inglês esta e-mensagem de @BobAvakianOfficial

Mas agora essa patranha está em crise.

Os Republi-fascistas sentem, existencialmente, que não podem preservar o império norte-americano sem uma rutura radical com a maneira “normal” como o capitalismo norte-americano tem funcionado nos últimos 150 anos e estão decididos a despedaçar toda essa maneira de operar. Esses perigosos maníacos acreditam fervorosamente que só eles, e apenas o seu programa de flagrante e irrestrita supremacia branca, supremacia masculina, eliminação das pessoas LGBT, ódio aos imigrantes, demência anticiência, beligerante promoção da guerra, esmagamento dos protesto e da dissidência e aniquilação do estado de direito, só essa restruturação da sociedade norte-americana é legítima e pode fazer com que “os EUA voltem a ter grandeza”. E o caminho para o alcançarem exige a derrota, o esmagamento e a subordinação, tão violentamente quanto necessário, dos seus oponentes, tanto na classe dominante como entre a população. Além disso, as eleições também têm de ser “reconfiguradas” (assumindo que elas continuam a existir) para uma afirmação automática do regime fascista. (Vê o encarte final de Bob Avakian para saberes mais sobre as raízes disto.)

Nas eleições de 2020, Bob Avakian qualificou as tentativas de Trump de roubar as eleições como um “golpe de estado em marcha”. O culminar deste esforço multifacetado foi o 6 de janeiro de 2021, quando milhares de fascistas enlouquecidos invadiram violentamente o Capitólio dos EUA para tentarem parar a certificação da votação. Quando acabou, BA qualificou-o de ensaio geral.

Desta vez, os fascistas estão decididos a ser bem-sucedidos.

Esta situação exige que TU, exige que cada ser humano decente, intensifique o seu compromisso de parar isto e buscar uma saída desta crise verdadeiramente existencial

Manifestação até ao Capitólio
Manifestação até ao Capitólio, Washington, DC, 5 de novembro de 2025 (Foto: AP/Jose Luis Magana)

Ninguém pode prever exatamente como esta situação se irá desenvolver nas próximas semanas e meses — a situação nos EUA, e em todo o mundo, é extremamente volátil. Mas o fascismo de Trump e do MAGA está a acelerar, e a trabalhar com esforços redobrados para consolidar o seu controlo sobre a sociedade e o seu programa fascista.

O que podemos prever é que aqueles que estão a ignorar ou a minimizar este perigo estão a encaminhá-lo para um desastre. O Partido Democrata e os seus principais representantes estão a agarrar-se desesperadamente às mesmas eleições que os fascistas estão a tentar trapacear e roubar. Como instituição da classe dominante, trabalham para manter a estabilidade do capitalismo-imperialismo e não vão arriscar a agitação que poderia ser requerida para derrotar o fascismo de Trump. O próprio Elías, ainda que tenha soado o alarme de que as movimentações de Trump são “aterradoras”, acabou a defender apenas que o que as pessoas deveriam fazer é protestar, continuar a iniciar processos judiciais, “fazer um plano para votar, prestar atenção e certificar-se que todas as pessoas nos seus círculos sociais entendam o que está a acontecer”.

Perante esta veloz e inexorável besta fascista, isto é extremamente inadequado e profundamente irresponsável. Se permitirmos que este regime se consolide, isso não só significará um horror absoluto para as massas populares nos EUA e no mundo inteiro, também poderia esmagar toda e qualquer possibilidade real de resistência, ou a luta por um futuro melhor. Com o crescente perigo de catástrofe climática e de guerra nuclear, não é exagerado dizer que pode até significar a extinção da nossa espécie.

É necessário que milhões de pessoas reconheçam o programa fascista na sua totalidade, em protestos sustentados e não violentos, decididas a expulsar do poder todo este regime fascista, JÁ! É necessário defender os direitos das pessoas, incluindo o seu direito fundamental ao voto, como parte da luta contra toda esta besta destruidora e pela sua derrota. E as pessoas, em geral, precisam de se apoiar mutuamente perante a severa repressão que o regime fascista está a levar a cabo.

Ao mesmo tempo, há uma grande urgência de examinar mais profundamente o próprio sistema que originou este fascismo, e tantas outras atrocidades, e de procurar respostas fora e para além deste sistema. Ainda que a situação esteja repleta de perigos extremos e muito negativos, há também a possibilidade de que uma revolução para gerar um sistema inteiramente novo possa ser extraída de toda esta loucura, no caso de que, através disto, se desenvolvam as outras duas condições para a revolução. Uma vez mais, de Bob Avakian:

Um povo revolucionário de milhões e milhões de pessoas cuja “lealdade” a este sistema tenha sido rompida, e cuja determinação de lutar por uma sociedade mais justa seja maior que o seu medo da violenta repressão deste sistema.

Uma força revolucionária organizada, constituída por um cada vez maior número de pessoas, de entre as mais oprimidas mas também de muitos outros setores da sociedade, uma força que se baseie em, e esteja a trabalhar sistematicamente para aplicar, a abordagem mais científica para a construção, e depois para a concretização, da revolução e que seja cada vez mais procurada pelas massas populares para que as lidere para fazer nascer a mudança radical que é tão urgentemente necessária.

Essa mudança radical está exposta de uma maneira inspiradora na Declaração dos Revcoms, Precisamos e exigimos: Uma maneira inteiramente nova de viver, um sistema fundamentalmente diferente [inglês/castelhano]:

Socialist Constitution
Lê e descarrega o PDF: inglês/castelhano

Enquanto continuarmos a viver sob o domínio deste sistema do capitalismo-imperialismo, defenderemos as pessoas contra os ataques às suas vidas e aos direitos que supostamente são garantidos pela Constituição dos EUA. Mas precisamos de um sistema inteiramente diferente, com uma Constituição inteiramente diferente — a Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte —, que proporcionará muito mais direitos para as pessoas, incluindo o direito básico a terem o papel fundamentalmente determinante numa nova sociedade e governo cujo propósito e objetivo seja eliminar toda a exploração e opressão, em todo o lado.

A verdade é que, apesar das suas alegações de estar a falar em nome de “nós, o povo”, a Constituição dos EUA é um documento escrito por proprietários de escravos e exploradores capitalistas e ao serviço dos seus interesses, desde a formação dos EUA até hoje. É um documento que restringe a noção de “liberdade” ao que é possível fazer dentro dos limites assassinos deste sistema do capitalismo-imperialismo, um sistema de exploração brutal e opressão assassina. É um documento que estabelece os termos para impor este sistema que trata as massas populares, nos EUA e em todo o mundo, como objetos a ser usados e abusados para gerar lucros e aumentar o capital para um pequeno número de grandes exploradores, (...) um sistema que afasta como inúteis, e trata como perigosos, um enorme número de seres humanos que não podem ser explorados de uma maneira lucrativa, (...) um sistema que causa guerras intermináveis que matam milhões de pessoas e causam uma destruição massiva, (...) um sistema que trata o meio ambiente como algo a ser pilhado na procura de lucro e da sua rivalidade para dominar o mundo.

A Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte é inteiramente diferente da Constituição dos EUA. Esta Constituição para uma nova república socialista fornece uma visão abrangente, uma base firme e um plano concreto para criar uma sociedade e, no final, um mundo, livre de todas as formas de escravidão, de toda a exploração e opressão com base na classe, raça, sexo e género, de todas as relações em que uma parte da humanidade é subordinada e dominada por outras.

O novo sistema socialista baseado na Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte fará o que nunca poderia ser feito sob este sistema do capitalismo-imperialismo: através das suas instituições, de eleições e de um modo totalmente global, este novo sistema socialista fornecerá os meios para capacitar politicamente as massas populares, a fim de levar a cabo a transformação revolucionária da sociedade, e contribuir para este processo no mundo como um todo.

Ao unir todos os que podem estar unidos para derrotar este fascismo, é a isso que as pessoas precisam de elevar a vista — e ser parte da luta por isso.

De “Este é um momento raro em que a revolução se torna mais possível — por que razão é assim, e como aproveitar esta oportunidade rara”, de Bob Avakian [inglês/castelhano]

Ainda que “a democracia, com liberdade e justiça para todos” seja uma mentira cruel, esta mentira tem sido crucial para que os governantes deste país mantenham a articulação das coisas sob este sistema — e especialmente para conseguirem que as pessoas que são oprimidas sob este sistema acreditem na possibilidade de tornar este sistema mais justo. Foi por isso que ambos os partidos da classe dominante geralmente estiveram de acordo, durante muito tempo, em trabalhar dentro do mesmo quadro para governar os EUA — estiveram de acordo em aceitar os resultados das eleições e levar a cabo a “transferência pacífica de poder” entre os diferentes representantes deste mesmo sistema, democratas ou republicanos.

Com as condições em mutação nos EUA, e no mundo no seu conjunto, durante o tempo passado desde o fim da 2ª Guerra Mundial (há 75 anos), foi necessário que a classe dominante, a fim de manter “a ordem e a estabilidade” dos EUA, fizesse certas concessões à luta contra a supremacia branca, a supremacia masculina e algumas outras relações de opressão, ainda que, ao mesmo tempo, tenha insistido que isso fazia tudo parte da “criação de uma união mais perfeita” e de “aperfeiçoar ainda mais a grande democracia que sempre existiu nos EUA”. Isso também tem sido necessário para que os governantes dos EUA continuem a promover o país como “líder do mundo livre”, que dizem ser necessário que continue a ser a potência dominante no mundo — mas que, na realidade, é a potência mais opressora e destruidora, que saqueia as massas populares, bem como o planeta.

Mas um setor da classe dominante capitalista, representada pelo Partido Republicano, sempre resistiu até mesmo a essas concessões parciais à luta contra a opressão, e passou a estar convencido de que agora essas mudanças foram longe demais, que ameaçam destruir o que tem mantido a articulação dos EUA e que lhe permitiu dominar o mundo.

Os republicanos tornaram-se num partido fascista — um partido baseado na aberta e agressiva supremacia branca, supremacia masculina e noutras relações de opressão —, um partido convencido de que só ele merece governar, agindo para manipular as eleições e suprimir os votos com o fim de ganhar e se manter no poder, recusando-se a aceitar o resultado das eleições que não ganha, decidido a esventrar e perverter o “estado de direito”, espezinhando os direitos das pessoas e adotando o que equivale a uma ditadura capitalista não dissimulada, pronto a usar a violência não só contra as massas populares, mas também contra os seus rivais na classe dominante.

Estes republicanos mobilizaram um importante setor das pessoas que acreditam, com uma intensa paixão irracional, que a supremacia branca, a supremacia masculina e outras relações de opressão (bem como uma desenfreada pilhagem do meio ambiente) devem ser firmemente mantidas e impostas. Eles foram levados a um estado de insanidade cruel, a abraçar todos os tipos de lunáticas teorias da conspiração, juntamente com um fundamentalismo cristão enlouquecido, como resposta à ameaça que veem à sua posição de privilegio (ou “ordenada por deus”) e à sua insistência em que outras concessões à luta contra a opressão iriam destruir o que “fez com que os EUA tenham grandeza”.

Estas divisões já se tornaram profundamente enraizadas nas principais instituições dos EUA, incluindo as forças armadas, e ficarão cada vez mais agudas e irromperão abertamente, à medida que as coisas se continuarem a agudizar na sociedade em geral e no interior da classe dominante.

Não é possível superar estas profundas divisões, esta intensificação do conflito — não é possível voltar a “compor” tudo isto —, segundo os termos, e da maneira, como os EUA têm mantido a articulação sob o regime de uma classe capitalista mais ou menos unificada.

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NOTAS:

1  Numa medida inusual, isto foi diretamente supervisionado pela Diretora Nacional de Inteligência, Tulsi Gabbard. É muito raro que altos dirigentes de agências estejam presentes em investigações criminais locais. Isto poderia significar que o regime possa tentar argumentar que têm de interferir nas eleições por motivos de “segurança nacional”, seja o que for que isso signifique.

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