Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (publicado em inglês a 8 de junho de 2026 e em castelhano a 18 de junho de 2026)

Fascistas de todo o mundo reúnem-se em Portugal numa conferência de “remigração” com apelos a uma limpeza étnica e a expulsões em massa

Agentes da imigração em Mineápolis, Minesota
Agentes norte-americanos da imigração arrombam uma porta com um aríete em Mineápolis, Minesota, 11 de janeiro de 2026 (Foto: AP/John Locher)
De um leitor do Revolution/Revolución

No passado dia 30 de maio, forças fascistas dos EUA e da Europa reuniram-se na Figueira da Foz, Portugal, para uma “Cimeira da Remigração” construída em torno da exigência de deportações em massa e da expulsão dos imigrantes, das minorias e até de cidadãos considerados como pertencendo a etnias ou religiões “erradas”. Na linguagem fascista cada vez mais comum, a “remigração” significa abertamente expulsões em massa: não só a deportação de imigrantes indocumentados, como a expulsão de populações inteiras consideradas como não sendo suficientemente “assimiladas”, ou não “leais”, ou simplesmente não integrando a identidade nacional dominante.

O ex-dirigente da Patrulha de Fronteira dos EUA, Greg Bovino (cujos agentes tipo GESTAPO foram responsáveis pelas mortes de Alex Pretti e Renee Good em Mineápolis) foi um dos palestrantes em destaque, ao lado do ativista supremacista branco Jared Taylor, de membros da Frente Patriota e de representantes eleitos dos partidos AfD da Alemanha e Vox de Espanha (ambos partidos fascistas que têm vindo a crescer nos últimos anos). O canal noticioso online Democracy Now! relatou que Bovino e Taylor foram tratados como convidados VIP do evento.

Bovino considerou que a greve da fome em curso no centro de detenção de Delaney Hall, em Nova Jérsia, era uma “notícia falsa” e disse que, caso os detidos percam peso, “iremos poder meter ainda mais pessoas nos aviões para serem deportadas”. É assim a podridão moral da “remigração” fascista: seres humanos em greve da fome são ridicularizados como uma carga cujos corpos podem ser tornados mais leves para os voos de deportação. A distância entre estas palavras e o discurso do extermínio em massa é minúscula.

No centro de detenção de Delaney Hall
No centro de detenção de Delaney Hall, Nova Jérsia, os agentes do ICE apontam armas “menos letais” contra os manifestantes, 29 de maio de 2026 (Foto: AP/Andres Kudacki)

Um outro comentário de Bovino expõe a mentira de que Trump e o regime dele supostamente só têm como alvos pessoas consideradas “criminosos violentos” e os “piores dos piores”. Ele disse, ao criticar o regime de Trump por não ter ido suficientemente longe na campanha de deportações em massa, que há atualmente “100 milhões de estrangeiros ilegais” nos EUA. Pensem nas implicações deste número (que equivale a quase um em cada três habitantes dos EUA). Num episódio de 4 de junho de 2026 do Democracy Now! [inglês/castelhano], o jornalista Charles Davis disse:

Ora, a maioria dos peritos credíveis dirá que há no máximo 12 milhões [de imigrantes indocumentados a viver nos EUA]. Mas se prestaram atenção durante a campanha eleitoral de 2024, poderão ter visto Donald Trump e JD Vance a aumentar um pouco mais esse número de cada vez que falavam. Chegaram aos 20 milhões, depois aos 30 milhões e agora já vão nos 100 milhões. E eu acho que isso revela o facto de eles não estarem só a tentar expulsar as pessoas com base no seu estatuto legal puro. Temos de ver isto no contexto de estarem a tentar eliminar a cidadania por nascimento e a regressar ao século 20. Isto é, estão a tentar livrar-se das pessoas que chegaram nos últimos cem anos, que eles consideram não ser suficientemente norte-americanas ou, no contexto europeu, não serem suficientemente europeias.

O facto de isto ser o que os fascistas de ambos os lados do Atlântico andam a fazer “flutuar” agora — e comparando notas — deve ser uma enorme chamada de atenção para as pessoas decentes em todo o mundo. Para aqueles de nós que agora estamos a viver sob o regime fascista de Trump e do movimento MAGA, isto deve reforçar a nossa determinação e sublinhar a urgência de pormos em prática as oportunas e abrangentes palavras de ordem:

Em nome da humanidade, recusamo-nos a aceitar uns Estados Unidos fascistas!

Protestos contra o ICE e de apoio aos detidos em greve da fome
Protestos contra o ICE e de apoio aos detidos em greve da fome no centro de detenção de Delaney Hall, Nova Jérsia, 6 de junho de 2026 (Foto: revcom.us)

A organização Recusar o Fascismo (refusefascism.org) tem argumentado repetidamente que os ataques xenófobos contra os imigrantes por parte dos fascistas de Trump e do MAGA têm sido a pedra angular e o aríete de uma mais vasta reformulação fascista da sociedade. Eles já estabeleceram um terrível precedente de milhares de pessoas desaparecidas, inúmeras pessoas autodeportadas por medo ao regime e pessoas assassinadas por agentes do Estado por se terem levantado contra tudo isto, e que nada disto ainda é a conjuntura que precipitará a inversão de todo este impulso, para realmente expulsar o regime e repudiar completamente a sua política na sociedade em geral.

O importante e recente artigo [inglês/castelhano] sobre a greve da fome e os protestos no campo de concentração de Delaney Hall, em Nova Jérsia (onde estiveram alguns políticos do Partido Democrata), afirma:

A reinstituição de uma flagrante e brutal supremacia branca e xenofobia por parte do regime fascista de Trump representa uma forma diferente de governação do sistema capitalista-imperialista dos EUA...

Os Democratas têm diferenças reais em relação a esta xenofobia aberta e brutal. O facto de eles se terem sentido compelidos a protestar contra ela, e até terem sido presos e brutalizados pelos fascistas, contribuiu para chamar a atenção para este horror. Mas, em última análise, esses dirigentes políticos Democratas representam o mesmo sistema que os fascistas, e é este sistema e o seu incansável impulso de todos contra todos pelo lucro que tem saqueado as economias e distorcido as sociedades de onde esses imigrantes foram afastados. Em suma, como representantes deste sistema, mesmo que representantes políticos “liberais”, eles não têm respostas fundamentais para os problemas criados por este sistema.

REVOLUÇÃO nº 89
Lê ou ouve esta mensagem de @BobAvakianOfficial nas redes sociais [inglês/castelhano]

Isto é um entendimento crucial para mobilizar as pessoas num momento em que a atenção delas é cada vez mais impelida para as eleições intercalares deste outono, e para a eleição presidencial marcada para 2028. E, como disse Bob Avakian na sua mensagem nas redes sociais REVOLUÇÃO nº 89 [inglês/castelhano]:

(...) embora [Kamala] Harris (e os Democratas) não se envolvam na linguagem cruamente racista de Trump (e dos Republicanos) contra os imigrantes, o historial concreto de Harris e dos Democratas também é horrível em termos da cruel repressão dos imigrantes, incluindo daqueles que procuram asilo.

A resposta não é reformar o regime de fronteiras, nem uma segurança da fronteira mais “eficaz” e “bipartidária”, como alegam representantes do Partido Democrata como Kamala Harris, James Talarico e outros. A resposta é a revolução para um mundo sem fronteiras, e a emancipação da humanidade a nível mundial. Já é tempo de deixarmos para trás um sistema cujo funcionamento depende da pilhagem, da exploração, de fronteiras militarizadas, de campos de detenção e da divisão da humanidade em “legais” e “ilegais”.

Precisamos e exigimos: Uma maneira inteiramente nova de viver, um sistema fundamentalmente diferente

A Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte [inglês/castelhano], da autoria do líder revolucionário Bob Avakian, dá um sentido concreto a uma direção radicalmente diferente: ela diz que a nova república socialista irá “dar as boas-vindas aos imigrantes vindos de todo o mundo” que queiram contribuir para os seus objetivos emancipadores, e irá fornecer asilo aos perseguidos por estados imperialistas e reacionários. Isto será uma verdadeira expressão do internacionalismo: partindo dos interesses da humanidade, e não de “os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Neste momento de acrescida possibilidade revolucionária, coloca-se a seguinte questão: iremos avançar para lutar por este objetivo? Que outra causa, que outra visão, que outro futuro oferece algo próximo de uma saída deste horror?

 

Principais Tópicos