O seguinte artigo foi publicado em farsi (persa) na revista Atash [Fogo] nº 171, fevereiro de 2026, do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista). Traduzido para português a partir das traduções feitas por voluntários do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 9 de fevereiro de 2026 e em castelhano a 11 de fevereiro de 2026).

Nota da redação do Revolution/Revolución: O seguinte artigo foi publicado em farsi na Atash [Fogo] nº 171, fevereiro de 2026, em cpimlm.org. Representa os pontos de vista do PCI(MLM). Foi traduzido para inglês e castelhano por voluntários do revcom.us. Os tradutores acrescentaram algumas anotações entre parenteses retos e notas de rodapé.

Da revista Atash [Fogo] nº 171, fevereiro de 2026, do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista)

44 anos após a insurreição da Sarbedaran

Os desafios da guerra revolucionária

Combatentes da Sarbedaran, 1981–82
Combatentes da Sarbedaran, 1981–82

O rugido da raiva acumulada ao longo de quarenta e sete anos de sofrimento, opressão, pobreza e repressão varreu recentemente todo o Irão, e foi encharcado em sangue por ordens do [aiatola] Khamenei.

Numa batalha desigual e furiosa, inúmeras pessoas gritaram pela vida e a libertação perante os opressores. As filhas e filhos deste país saíram às ruas pela sobrevivência e por uma vida digna e honrada, oferecendo as suas vidas apaixonadas como garantia dessa libertação. Hoje, por ocasião do 44º aniversário da Insurreição da Sarbedaran1, com respeito e orgulho, honramos os nomes e o caminho forjado por aqueles que se mantiveram firmes e não se renderam.

Há quarenta e quatro anos, tal como hoje, o derrube revolucionário da República Islâmica foi uma necessidade urgente e sentida pela maioria da sociedade no Irão. A Insurreição da Sarbedaran surgiu como resposta a essa necessidade urgente, mas não conseguiu concretizar essa revolução. A revolução continua na agenda: uma revolução que elimine pela raiz e por completo o regime da República Islâmica, e construa uma ordem política, económica e social fundamentalmente diferente que satisfaça os interesses imediatos e de longo prazo do nosso povo oprimido e explorado; uma revolução que o liberte destes criminosos e de todo o seu aparelho económico, burocrático e militar; uma revolução que, baseando-se na sabedoria, paixão, poder e participação de todas as pessoas, varrerá a pobreza e a opressão; uma revolução que não permitirá que a vida diária e os frutos do trabalho de milhões de pessoas e os recursos desta terra sejam monopolizados e controlados por uma minoria de megacapitalistas islâmicos e não islâmicos e pelos seus amos imperialistas, enquanto tudo continua como antes. Não! Não o permitiremos.

A revolta na cidade de Amol a 26 de janeiro de 1982 foi o ponto alto da luta armada iniciada em 1981 pela União de Comunistas Iranianos para derrubar a República Islâmica. O livro The Bird That Was Learning to Fly [O pássaro que estava a aprender a voar] é um relato relativamente abrangente da insurreição de janeiro da Sarbedaran e fornece um resumo preliminar dessa batalha revolucionária. Todos os lutadores devem lê-lo.

Embora essa luta não tenha conseguido atingir o seu objetivo, as lições dela ainda se aplicam. A moldura, o propósito e o objetivo de comemorar a Insurreição da Sarbedaran e a discussão em torno dela giram sempre em torno da “revolução”: o que é uma revolução, qual é o problema que ela visa resolver, e para quem? A importância vital destas questões diz respeito e conecta o destino das massas oprimidas e exploradas [do Irão], de Zahedan a Mahabad, até aos países da região, do Paquistão ao Iémen e à Turquia, e ao mundo inteiro, dos EUA à China... e, em última instância, a toda a humanidade.

Estas são perguntas que só podem ser respondidas com a teoria científica desta revolução, o novo comunismo [desenvolvido pelo líder revolucionário Bob Avakian]. Por esta razão, a chave para levar a cabo a revolução é compreender e aplicar esta ciência. Na verdade, o “como liderar a revolução” baseia-se e desenvolve-se através da compreensão e aplicação desta ciência enquanto se leva a cabo a revolução. A principal aplicação desta teoria é a identificação dos obstáculos para concretizar essa revolução, e encontrar maneiras de os superar.

Este método e abordagem opera com diferentes níveis de complexidade. O “Manifesto e Programa da Revolução Comunista no Irão”, o “Projeto de Constituição da Nova República Socialista do Irão” e a “Estratégia para o Caminho para a Revolução Iraniana” estabelecem esta compreensão a um nível geral, bem como as políticas importantes da luta que devem ser desenvolvidas a cada momento.

O que devemos fazer é claro para nós: devemos converter esta teoria e a sua aplicação específica à revolução no Irão numa força poderosa e preparar o caminho para que esta revolução abra espaço entre uma multidão de obstáculos intelectuais, políticos, ideológicos e práticos, incluindo os obstáculos “de segurança e militares”. Estes são alguns dos problemas fundamentais que temos de antecipar e dos desafios que temos de enfrentar: 1) a repressão fascista do regime; 2) as forças burguesas externas ao governo que as potências capitalistas-imperialistas apoiam para se tornarem futuros “líderes” e “alternativas”; 3) as ideias retrógradas e as formas anticientíficas de pensamento entre os milhões de pessoas que deverão constituir as fileiras da revolução; 4) entre os intelectuais, especialmente os estudantes, que fazem parte da classe da pequena burguesia, não há setores significativos ou mesmo uma fração deles que tenha conseguido sair do quadro intelectual criado pelo próprio sistema [capitalista-imperialista]; eles devem voltar a ser capazes de se oporem às teorias que foram fabricados para que eles se opusessem à revolução comunista.

Para preparar o caminho para uma verdadeira revolução, é necessário abordar e superar estes obstáculos. É necessário que milhares de pessoas sejam organizadas como comandantes estratégicos dessa revolução, que seja difundido um entendimento desta estratégia para uma verdadeira revolução entre milhões de pessoas, de modo a que cada indivíduo, com plena compreensão do objetivo, propósito e plano da revolução, possa contribuir com a sua quota-parte.

Após a derrota da Insurreição da Sarbedaran, muitos antigos combatentes sentiram-se desiludidos e confusos e abandonaram as fileiras da revolução. Alguns anos antes [dessa insurreição], os comunistas revolucionários tiveram de enfrentar o facto de ter havido um golpe revisionista na China em 1976 e de o capitalismo ter sido restaurado nesse país. Eles ainda estavam a lutar para compreenderem a magnitude dessa derrota e as suas catastróficas consequências para as revoluções comunistas em todo o mundo. Na realidade, a restauração do capitalismo na China, que marcou o fim da primeira vaga de revoluções comunistas, foi o fator decisivo que desencadeou o tsunami de abandonos das fileiras da revolução comunista. A grande maioria dos revolucionários foi incapaz de confrontar cientificamente a realidade da derrota e de que ela marcava o fim da primeira vaga de revoluções comunistas no mundo, ou de compreender as suas causas e consequências; ou de considerar a possibilidade e a necessidade de transformar essa experiência, e mesmo essa derrota, na base para retomar a iniciativa contra a ordem existente e iniciar uma nova vaga de revoluções comunistas.

Manifestantes bloqueiam uma intersecção em Teerão
Manifestantes bloqueiam uma intersecção em Teerão, Irão, 8 de janeiro de 2026
(Foto: captura de ecrã de um vídeo da AP)

Estamos agora numa nova conjuntura histórica que, objetivamente, contém oportunidades objetivas muito importantes para nós. A maior arma que temos hoje, e que não tínhamos nessa época, é o novo comunismo desenvolvido por Bob Avakian. Hoje, nós, os poucos comunistas revolucionários, com o novo comunismo nas nossas mãos — que é, de facto, o telescópio e o microscópio da revolução, mais concentrados e desenvolvidos —, temos a possibilidade de aproveitar as grandes oportunidades que a crise em todo o sistema capitalista mundial oferece a uma verdadeira revolução, e cometendo muito menos erros. Devemos atrair um crescente número de pessoas para esta revolução, e as novas pessoas que a ela se juntarem, independentemente dos seus antecedentes, pontos fortes e fracos, ou dos estratos sociais de que provenham, serão responsáveis por atrair mais pessoas para a revolução — especialmente entre os estratos mais empobrecidos da sociedade —, como iniciadores e combatentes da primeira linha da revolução.

Não há garantias, nem um resultado predeterminado, para esta luta, mas a humanidade, especialmente os milhares de milhões de pessoas oprimidas e exploradas — do Irão aos EUA, e de todos os cantos do mundo — precisam de derrubar este sistema. Dadas as contradições subjacentes a este sistema, há uma base muito sólida para o derrubar. Mas se não contarmos com uma vanguarda, então não haverá força para aproveitar esta oportunidade, e o resultado será mais uma deceção histórica, que trará desespero e frustração.

É necessário que seja uma vanguarda revolucionária séria e disciplinada; que debata ativamente as “questões-chave” da revolução e, com essa base e dentro deste quadro, aborde as questões urgentes que enfrentamos: por um lado, trabalhar diariamente para transformar a sociedade numa direção revolucionária e, por outro lado, elaborar uma estratégia para que possamos ligar as atividades de hoje a essa estratégia (tanto o objetivo político como a estratégia para o derrube violento do Estado dominante).

No meio dos grandes tumultos que estão a atingir não só o Irão e o Médio Oriente, mas o mundo inteiro, precisamos de chegar muito rapidamente a um ponto em que este tipo de cultura seja abraçado pelas muitas pessoas que sentem a gravidade da situação e estão avidamente à procura de um verdadeiro caminho para mudar o mundo. As fileiras desta revolução devem crescer a cada dia que passa.

Hoje, abraçar muito profundamente o novo comunismo é uma parte importante da preparação para a revolução. Neste contexto, Bob Avakian salientou:

(...) popularizar a estratégia para a revolução é uma parte fundamental da concretização dessa estratégia. Se supostamente estamos a levar a cabo uma estratégia mas nem nós mesmos a entendemos muito bem — e não falamos sobre ela às massas, que tipo de estratégia é essa e para que serve realmente uma estratégia? Do lado positivo, permitam-me que saliente novamente: popularizar a estratégia para a revolução — corretamente, de uma maneira viva e com sentido — é uma parte fundamental da concretização dessa estratégia. Quando efetivamente popularizarmos esta estratégia, e um número crescente de pessoas adotar essa estratégia, então ela própria também se torna parte do terreno objetivo. Influencia a maneira como as pessoas pensam, em particular em relação à possibilidade da revolução e à conceção estratégica para levar a cabo a revolução. Quanto mais as pessoas compreenderem que já houve trabalho feito em relação aos problemas de fazer uma revolução a sério, quanto mais se envolverem com a conceção estratégica que está a ser desenvolvida sobre a maneira de fazer a revolução e sobre como o trabalho que está a ser feito é efetivamente posto em prática — como é devido —, em conformidade com essa conceção estratégica e como forma de a aplicar, mais vivo isso ficará aos olhos delas.2

A mensagem da Sarbedaran é a seguinte: Para se pôr fim à guerra unilateral que a República Islâmica está a levar a cabo, ou qualquer regime similar que possa substituir estes fascistas, o povo necessita do seu próprio exército revolucionário. As pessoas lutarão contra as condições de opressão e exploração que as rodeiam; sacrificarão as suas vidas, multiplicando e disseminando coragem. A questão é que tudo isto deve contar com um eixo político, com um programa claro e uma estratégia para levar a cabo esse programa, de modo a que possamos converter as repetidas derrotas históricas em vitórias — as vitórias da “Nova República Socialista [do Irão]” —, porque esta é a única alternativa que verdadeiramente pode libertar a nossa sociedade das garras de séculos de opressão e exploração, tanto sob as formas antigas como sob as novas, e inspirar a humanidade em todos os cantos do mundo.

Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista)

Ver também: Irão: 32º aniversário da insurreição de Amol

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NOTAS:

1  A Sarbedaran foi a organização militar liderada pela União de Comunistas do Irão (UCI), a antecessora do atual Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista). “Nas noites dos dias 26 a 28 de janeiro de 1982, a cidade de Amol [no norte do Irão] testemunhou uma sangrenta batalha generalizada das forças armadas da Sarbedaran e seus apoiantes nas massas urbanas contra as forças militares e policiais do regime da República Islâmica. Organizada e liderada pela UCI, esta histórica ofensiva armada foi a última resistência séria das forças revolucionárias contra o golpe contrarrevolucionário do regime.” Da revista A World To Win [Um Mundo A Ganhar], 1984/85, “Os exércitos derrotados retiram boas lições — Conclusões da União de Comunistas Iranianos (Sarbedaran)” [inglês/castelhano].

2  Bob Avakian, “Construir um movimento para a revolução” [inglês/castelhano], 2ª Parte de Os pássaros não podem dar à luz crocodilos, mas a humanidade pode voar para além do horizonte | revcom.us.

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