Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 11 de dezembro de 2017, aworldtowinns.co.uk

#metoo – Uma resposta global ao assédio sexual

Quando, nos finais de 2017, algumas corajosas mulheres apresentaram os seus relatos do assédio sexual e coisas piores a que tinham sido sujeitas pelo poderoso produtor cinematográfico de Hollywood Harvey Weinstein, as mulheres em todo o mundo causaram um tsunami de fúria em resposta ao apelo para acrescentarem as histórias delas à hashtag [etiqueta] #metoo [“também eu”] no Twitter. Até ao momento, mulheres de mais de 85 países falaram do que antes receavam contar com medo da humilhação e de mais violência física que poderiam enfrentar.

Embora a maior parte das respostas tenha vindo dos EUA, onde teve origem a hashtag #metoo, um enorme número de mulheres na Europa, na Índia e em muitos outros lugares também se lhe juntaram. As mulheres indianas ainda entram em ebulição em relação ao brutal estupro coletivo em 2012 em Nova Deli da estudante de medicina de 23 anos Jyoti Singh, que acabou por levar à morte dela, e à cultura oficial que elas responsabilizam. Devido ao assédio sexual diário e às ameaças que as mulheres indianas enfrentam, a #metoo faz agora parte da conversa nacional.

Sob a hashtag #balancetonporc (denuncia o teu porco), as mulheres francesas responderam ainda antes de a #metoo se ter tornado global e viral. O assédio sexual de mulheres está tão institucionalizado e normalizado em França que mesmo depois da prisão em Nova Iorque em 2011, sob acusações de estupro, de Dominique Strauss Kahn, o candidato do Partido Socialista às eleições presidenciais que se avizinhavam, ele foi defendido ou simplesmente desculpado pela maior parte do sistema político e intelectual – para indignação de muitas mulheres francesas. Agora, encorajadas pelas suas irmãs em todo o mundo, as mulheres francesas estão a tornar-se uma importante componente do momento #metoo.

Em vários pontos de África, apesar da crescente violência doméstica e dos fortes tabus culturais e religiosos, muitas mulheres romperam o silêncio. “O assédio sexual é tão endémico na sociedade que é quase um direito para os homens da Nigéria”, disse Faustina Anyanwu, de 39 anos, que escreveu uma publicação no Twitter sobre o assédio sofrido quando trabalhava como enfermeira. O tratamento recebido das autoridades indonésias é tão horrendo que uma mulher disse: “Desejo ser assassinada em vez de saber que alguém duvida se eu realmente fui estuprada ou não”. Situações como estas têm minado fortemente a liberdade das mulheres para protestarem publicamente, e mesmo na internet.

Francês: #BalanceTonPorc? (denuncia o teu porco)     Italiano: #QuellaVoltaChe?
Castelhano: #YoTambién     Francês do Canadá: #MoiAussi?     Hebreu: גםאנחנו     Árabe: أنا_كمان #
   
     Chinês: #我也是     Sul-coreano: #나도
     Vietnamita: #TôiCũngVậy
(Mapa de outubro de 2017)

Um estudo da Fundação Thomson Reuters considerou o Cairo (depois de Deli e de São Paulo) uma das megacidades mais perigosas do mundo para as mulheres. Cerca de 43% dos homens egípcios acreditam que as mulheres apreciam ser assediadas sexualmente. Para descrever o que é andar pelas ruas do Cairo, uma ativista publicou no Twitter: “Algumas semanas são melhores que outras, mas há alguns dias que realmente te desfazem e é necessária muita força de restabelecimento para enfrentarmos novamente as ruas.” É comum ouvir vozes reacionárias como a de um jornalista egípcio que argumentou que, no mundo árabe, se as mulheres teimarem em falar abertamente sobre a violência sexual, isso só irá abrir as comportas para uma maior vilipendiação das vítimas.

As mulheres em todo o mundo são profundamente afetadas pelas apodrecidas relações culturais que promovem o assédio sexual e a violência contra as mulheres e as instituições que as facilitam. Essas relações estão profundamente arreigadas na organização patriarcal da sociedade ao longo de milhares de anos e na força das ideias tradicionais de ver a mulher como propriedade do homem e reprodutora de crianças, e tudo isto é institucionalizado e perpetuado pelo sistema capitalista-imperialista. Isto afeta mulheres de todas as idades, desde mesmo antes de as meninas sequer nascerem (com o aborto selecionado de fetos femininos) ao asfixiar da busca intelectual das meninas, à pornografia e às imagens humilhantes da mulher presentes em todo o lado que destroem as contribuições criativas delas e as aprisionam. As doutrinas de todas as principais religiões defendem esta opressão da mulher. É uma ferida aberta que afeta metade da humanidade e não pode ser completamente extirpada sem se extirpar o tipo de sociedade que cria esta opressão. As mulheres podem e devem desempenhar um importante papel nesta extirpação para obterem a plena libertação para elas e para toda a humanidade.

Convidamos os nossos leitores a lerem e contribuírem para uma nova série sobre esta importante questão em revcom.us. O seu objetivo é “libertar a fúria das mulheres como força poderosa para a revolução”.

Vão a http://revcom.us/a/519/a-righteous-upsurge-against-sexual-assault-en.html (em inglês) ou http://revcom.us/a/519/un-auge-de-lucha-justa-contra-el-asalto-sexual-es.html (em castelhano).

Uma questão de posição e orientação de base

Por Bob Avakian

Apoiar e propagar a fúria contra os abusos sexuais

O fenómeno do assédio sexual e das agressões sexuais – incluindo (mas não se limitando a) o abuso sexual de mulheres por homens que detêm posições de poder sobre elas – existe há muito tempo, está generalizado em toda esta sociedade supremacista masculina e é reforçado pela pútrida cultura que ela criou. A efusão de indignação contra estes abusos sexuais e os demasiadamente comuns encobrimentos institucionais e a cumplicidade com isto, e a exigência de uma mudança radical na cultura – que deu mais um importante salto com as acusações contra Harvey Weinstein que agora se propagaram muito para além disso, envolvendo milhões de mulheres, em esfera atrás de esfera da sociedade em todo este país, bem como noutros países – é justa, correta e há muito necessária – e deve ser apoiada, encorajada, propagada e defendida contra as retaliações.

No contexto de uma tal efusão de indignação há muito reprimida, haverá alguns aspectos negativos, incluindo alguns excessos em que se fazem acusações falsas ou exageradas em casos específicos; mas isso tem sido (e quase certamente continuará a ser) um aspecto muito secundário do fenómeno. Se e quando for necessário salientar algumas destas falhas, isto deve ser feito de uma maneira muito sensata, de maneira a não minar o caráter esmagadoramente positivo desta efusão e de maneira a de facto ajudar a fortalecê-la.

Esta efusão de indignação há muito reprimida e inteiramente justa não é o mesmo que qualquer acusação em particular. Essas acusações específicas têm de ser abordadas na base de se avaliar cientificamente as evidências, e isto é especialmente importante quando as acusações não só alegam uma má conduta como também atos criminosos reais, como estupro ou outras agressões sexuais. Mas não se deve permitir que esta distinção, entre as acusações específicas e o fenómeno global, obscureça ou enfraqueça a justeza e a importância da massiva sublevação contra estes abusos profundamente difundidos e arreigados e contra os tremendos danos causados às mulheres e à humanidade como um todo.

Bob Avakian sobre romper todas as grilhetas

Olhem para todas estas belas crianças do género feminino no mundo. E, além disso, para todas as outras afrontas que tenho referido, em termos das crianças em todas as favelas e bairros pobres no Terceiro Mundo, além de todos os horrores que se amontoam sobre elas – o facto de viverem do lixo e de dejetos humanos às centenas de milhões como sendo o destino delas, que se lhes apresenta à frente delas, sim, mesmo antes de nascerem – há, em cima disto, para essas crianças que nascem no género feminino, o horror de tudo o que isto simplesmente trará porque são mulheres num mundo de dominação masculina. E isto não é verdade apenas no Terceiro Mundo. Também nos países “modernos”, como os EUA, as estatísticas mal captam isto: os milhões de mulheres que serão estupradas; os milhões mais que serão rotineiramente humilhadas, enganadas, degradadas e muito frequentemente brutalizadas por aqueles que supostamente são os seus entes mais queridos; a maneira como tantas mulheres irão ser colocadas em situações vergonhosas, como serão perseguidas e assediadas se tentarem exercer os seus direitos reprodutivos até ao aborto, ou simplesmente o controlo da natalidade; as muitas mulheres que serão forçadas à prostituição e à pornografia; e todas aquelas que – caso não tenham esse destino específico, e mesmo que tenham algum sucesso neste “novo mundo” onde supostamente não há nenhuma barreira para as mulheres – serão cercadas por todos os lados e insultadas a cada momento, por uma sociedade e uma cultura que degradam as mulheres, nas ruas, nas escolas e nos locais de trabalho, em casa, diariamente e de inúmeras maneiras.

De BAsics [O BÁsico] 1:10, de Bob Avakian, RCP Publications, 2011.