Uma grande manifestação estudantil percorreu as ruas de Lisboa no dia 5 de Novembro. Começando a concentrar-se por volta das 14h na Cidade Universitária, os estudantes desceram depois as Avenidas Novas até à Rotunda, subindo depois até ao Rato e virando para a Rua de S. Bento. A longa caminhada a pé terminou frente ao Parlamento, onde se juntou a outros estudantes que já lá esperavam.
Mais de 15 mil estudantes no total, mostrando grande combatividade, permaneceram no local mais de duas horas, gritando slogans contra o primeiro ministro e a política do Governo para a educação. Um grande número de automobilistas buzinava, em sinal de apoio.
O facto de o nome mais gritado ser o de Durão
Barroso (e não o da ministra Graça Carvalho) mostra bem o elevado grau
de consciência que os estudantes já têm. O ambiente geral era de
grande euforia, e comentava-se não apenas a política educativa do
governo mas também as suas criminosas políticas para a saúde e a
segurança social.
Mobilizando estudantes de Norte a Sul do país - vieram de Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra, Évora, Algarve, Minho e Vila Real -, tratou-se da maior manifestação estudantil dos últimos tempos, e uma das maiores de sempre em Portugal, mostrando o importante papel que os estudantes podem vir a desempenhar na luta social.
A razão imediata da luta dos
estudantes é a Lei de Financiamento do Ensino Superior e os estudantes
exigem a sua revogação imediata. Como bandeiras principais da sua
luta, os estudantes do Ensino Superior contestam as propinas e as
prescrições e exigem o aumento do financiamento do Ensino Superior e
da Acção Social Escolar. Como verdadeiro pano de fundo da sua luta,
está a crescente elitização do ensino e a crescente diminuição da sua
qualidade.
O Ensino Superior em Portugal debate-se com graves problemas resultantes de décadas de abandono e desinvestimento, mas que são agora agravados pela mais recente das tentativas de transformar o Ensino numa mercadoria, a pagar a preços do chamado "mercado". Assim, tenta habituar-se os estudantes e suas famílias a pagar o "preço de custo" do ensino, antes de entregar a Educação aos abutres privados. Megalomanias como o Euro 2004, a America's Cup, a compra de armamento militar e o envio da GNR para o Iraque, que custarão milhões aos contribuintes, mostram que não há falta de dinheiro. Apenas os interesses e os beneficiados são diferentes.
Como dizia um comunicado distribuído
durante a manifestação, "Face a esta situação, só resta aos
estudantes do ensino superior lutar, lutar e lutar ainda mais. Em
primeiro lugar, é necessária uma grande unidade, não só entre aqueles
que são directamente prejudicados, como com aqueles que não sendo tão
afectados possam compreender a grande injustiça e a hipocrisia do
'acesso igual para todos'. É preciso que fique claro o que é que está
em causa e essa será a primeira batalha contra a demagogia
anti-estudantil que já circula por aí. Depois da unidade, só há um
caminho: lutar. Aqui, os estudantes sabem ser particularmente
criativos, e temos a certeza que saberão levar a sua luta ao único
porto possível: a VITÓRIA."