O 1º de Maio deste ano é marcado pela persistência de uma crise
económica de grandes proporções, uma das maiores que o sistema
capitalista já gerou. E, tal como em todas as outras anteriores crises
de sobreprodução, um pequeno punhado de exploradores capitalistas, na
sua insaciável ganância, pretende sair dela através de uma ainda maior
exploração da imensa maioria da humanidade, impondo ainda mais miséria
e guerras.
Actualmente, o sistema capitalista-imperialista que praticamente
domina todo o planeta é liderado por um único império, o maior de
sempre, os EUA. O imperialismo norte-americano, na ausência de
potências imperialistas rivais à sua altura, pode tomar a iniciativa a
seu bel-prazer e tem feito tudo para reforçar o seu império. Na última
década desencadeou guerras de terror, sobretudo na região mais
estratégica do globo, o Médio Oriente, para impedir o surgimento de
rivais e melhor controlar as riquezas do mundo e as suas rotas.
Mas a ofensiva imperialista global, em vez de trazer estabilidade,
apenas nos trouxe uma colossal crise que cresce a cada dia que
passa. Tudo o que o capitalismo e o imperialismo tem para nos oferecer
é mais pobreza, mais desemprego, mais guerra, mais massacres e um
sem-número de horrores infindáveis. Os nossos jovens entram num mundo
sem qualquer esperança no seu futuro, aumenta o tráfico e a
discriminação das mulheres, os povos dos países neo-colonizados são
forçados a imigrar e a trabalhar em condições humilhantes. O Capital
também tem vindo a explorar os recursos do planeta até ao limite, o
que está a causar uma catástrofe ambiental de proporções gigantescas
que põe em risco a própria vida na Terra.
O sistema capitalista-imperialista é um sistema totalmente
irracional cujo único motor é a ganância e o lucro imediato. E é um
pesadelo para a esmagadora maioria da humanidade. Este sistema
colocou-nos nesta situação e quer manter-nos nela. É um sistema que
não tem futuro e de que nos temos que libertar. URGENTEMENTE!
Este sofrimento não é uma fatalidade. Este sistema tem uma
alternativa. Precisamos de um mundo novo, um mundo muito melhor: um
mundo onde as pessoas trabalhem para o bem comum e não em função do
seu egoísmo, um mundo em que todos contribuam com o que podem para a
sociedade e dela recebam o que necessitam para viverem com a dignidade
de seres humanos, um mundo sem divisões de classe, género ou cor da
pele.
Um mundo desses é possível, mas para o construirmos é necessário um
grande esforço colectivo para erguermos um grande movimento
revolucionário à escala mundial. Precisamos de uma REVOLUÇÃO e temos
de começar a tratar de a concretizar desde já.
A actual crise oferece algumas condições únicas que podem não
voltar a repetir-se tão cedo. O inimigo está fragilizado a tentar
debelar a sua própria crise e cada medida que tenta tomar para se
safar vitima ainda mais os sectores mais explorados do povo e ultraja
todos os que têm um pingo de consciência.
Mas também nós próprios chegámos a esta crise numa posição de
fragilidade, devido à queda dos últimos bastiões revolucionários no
mundo, em particular a derrota da China maoista, e à subsequente
ofensiva ideológica capitalista que não teve uma resposta à altura dos
revolucionários de todo o mundo- Hoje dominam as ideias de que não há
alternativa a este sistema e praticamente desapareceu a resistência ou
tornou-se residual ou muito dividido, apenas focando aspectos
específicos da vida social (ecologia, direitos dos animais, etc.)
É altura de retomarmos a ofensiva! Começam a surgir exemplos
corajosos de resistência. O povo grego não está a aceitar
submissamente as soluções do Capital. O povo iraniano recusa o regime
islâmico. O povo indiano está a tomar o seu destino nas suas próprias
mãos, tem resistido ao saque das suas riquezas pelos exploradores
indianos e internacionais, e já controla importantes zonas do Centro e
Leste da Índia. Esses são os exemplos a seguir!
1 de Maio de 2010
- NÃO ACEITAMOS PAGAR A VOSSA CRISE!
O Comité Editorial do Bandeira Vermelha
(com12outubro@hotmail.com)
Como elo fraco do sistema capitalista, e em particular dentro do
bloco europeu, Portugal está a ser particularmente atingido pela crise
do Capital. O desemprego cresce e a fome e a miséria alastram. E o
grande capital financeiro internacional faz o que sabe fazer melhor:
atacar alvos enfraquecidos para os saquear ainda mais, até à exaustão,
tentando retirar daí o maior lucro possível.
O actual gestor dos interesses do grande capital dentro do estado
português, o governo Sócrates-Cavaco, canino servidor dos interesses
imperialistas, tem vindo a tomar medidas para aumentar a exploração do
povo português e resolver a crise a contento do capital financeiro
internacional, no caminho enchendo também os bolsos da grande
burguesia portuguesa.
Nos últimos anos, e na esteira dos governos anteriores, tem vindo a
facilitar os despedimentos e as condições de exploração e a eliminar
todas as garantias sociais que tão duramente conquistámos, muitas
vezes através de longas e árduas batalhas. A idade de reforma
aumentou, o acesso aos serviços sociais, de saúde e de educação foram
reduzidos, as regalias foram desaparecendo. Agora, aproveitam a crise
para nos assestar golpes ainda mais duros. Toda a grande burguesia
portuguesa está unida nesta ofensiva. Apenas divergem na velocidade e
na intensidade do seu ataque. Sócrates, Passos Coelho e Cavaco,
representantes dos principais sectores da burguesia, aparecem em
convergência na submissão canina ao grande capital, sobretudo o grande
capital financeiro internacional.
Agitando o papão do crime e da «falta de segurança» têm vindo a
reforçar as forças policias e de segurança, preparando-as para as
tarefas de repressão que são a verdadeira razão de existência dessas
forças.
Mas nós não somos responsáveis por esta crise. Ela resulta do
funcionamento de um sistema que nos foi imposto e no qual não
escolhemos viver. Um sistema que actua independentemente de quem ganhe
as eleições e que tem determinado o destino do país, sem que possamos
dizer uma palavra sobre isso, e que nos arrastou para esta situação de
miséria crescente.
Não aceitaremos pagar a crise deles! É nosso dever resistir! E essa
é a única alternativa que nos resta se não queremos viver a vida de
maior miséria que nos querem impor!
A rua, as fábricas, as escolas, os escritórios serão os nossos
campos de batalha!. Não os deixaremos em paz. Organizemo-nos para
resistirmos. Mostremos que temos a coluna vertebral intacta e honremos
a memória de quem por nós lutou no passado!
>Em Novembro deste ano decorrerá em Portugal uma Cimeira da NATO,
na qual se prevê a participação dos seus principais dirigentes,
incluindo Barack Obama, líder da principal potência imperialista.
A realização desta Cimeira em Portugal é uma afronta ao povo
português. A NATO é uma aliança militar controlada pelos Estados
Unidos e ao serviço dos seus interesses imperiais. Os EUA e esse seu
braço armado são responsáveis por inúmeras atrocidades contra os povos
de todo o mundo: invasões, ocupações, guerras e massacres, toda a sua
história está manchada de sangue inocente.
Com o fim do principal bloco militar que se lhe opôs, a NATO viu
questionada a sua legitimidade como força de pretensa «defesa» do
mundo ocidental, por falta de inimigo. Mas os EUA têm continuado a
usá-la em guerras em que não quer aparecer como agressor isolado,
nomeadamente nos Balcãs e no Médio Oriente.
Na última década, primeiro Bush e agora Obama tentam dar uma nova
legitimidade a essa máquina de guerra e tentando envolver mais os seus
parceiros. Países como a França, que na sua competição com os EUA se
mantinha pouco empenhada na NATO, são agora chamados para a primeira
linha, em defesa dos interesses imperiais norte-americanos e
europeus. É neste contexto de atribuição de uma nova legitimidade que
surge esta Cimeira.
Os governos portugueses, de Barroso a Sócrates, têm alinhado nessa
estratégia, subservientes a esses interesses imperialistas
estrangeiros, esbanjando os recursos do nosso país com a participação
em guerras que são contrárias ao nossos interesses.
Mas não deixaremos esta afronta passar em claro. Está já em
preparação uma condigna recepção a estes grandes carniceiros da
humanidade. Diversos grupos e plataformas estão já em movimento e em
Novembro, os líderes imperiais terão certamente a resposta que
merecem. Será a nossa forma de começarmos a preparar um mundo novo sem
as guerras e agressões que eles perpetuam para manterem o seu mundo
cruel e injusto.
Reconhecendo o perigo para o seu poder, o governo indiano
desencadeou recentemente uma gigantesca e brutal ofensiva militar
contra os maoistas no centro e leste da Índia, chamada Operação
Caçada Verde. Mas, apesar de usar meios sofisticados, incluindo
tecnologia militar de ponta fornecida pelos EUA, a guerrilha maoista
está a derrotar mais esta agressão, assestando duros golpes ao inimigo
e atraindo uma maior solidariedade do povo e de intelectuais
progressistas.
A revolução maoista indiana, que está a construir uma sociedade de
tipo novo nas zonas libertadas, é um exemplo de que, apesar do poderio
do inimigo, é possível construirmos um mundo novo.

Não pagaremos a crise do Capital!
Organizemos a Resistência!
- QUEREMOS UM MUNDO NOVO SEM EXPLORAÇÃO NEM OPRESSÃO!
As medidas que o Governo e a Europa nos querem impor devem receber
a merecida resposta!
A Cimeira da NATO em Novembro em
Portugal
Recebamos condignamente os caniceiros
imperiais
Guerra Popular na Índia enfrenta ofensiva governamental
Durante os anos 60
teve início nos campos da Índia, sob a liderança dos maoistas, uma
poderosa insurreição camponesa que nos últimos anos tem ganho um novo
impulso. Enquanto a burguesia indiana e os seus amos imperialistas se
vangloriam do «desenvolvimento» do país, este é feito à custa de um
brutal aumento da miséria do seu povo. Mas este gigantesco aumento da
exploração apenas criou as condições para o reforço da insurreição
maoista, que se reorganizou, unificou e retomou a iniciativa, tendo
alastrado a grande parte do subcontinente indiano.