Atividades nos EUA para denunciar e recusar o fascismo

Um conjunto de artigos do n.º 473, de 9 de janeiro de 2017, incluindo a atualização de um artigo da edição de 28 de dezembro de 2016, do jornal Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (revcom.us).

 

8 de janeiro: Iniciando o trabalho em Washington DC com a RefuseFascism.org

Por Sunsara Taylor

Sábado, conduzindo até Washington DC: Recebemos uma chamada dizendo que a Juíza Jeanine queria Carl Dix no programa televisivo dela no canal Fox News. Ela tinha visto a visita dele, juntamente com Cornel West, ao programa The O'Reilly Factor e queria ter a sua própria oportunidade para distorcer e atacar os pontos de vista dos que se opõem a Trump. É desnecessário dizer que tínhamos ficado todos entusiasmados com a prestação dele. Ele foi implacável a expor o programa fascista e os perigos do regime Trump-Pence, a total ilegitimidade deles, e a apelar a que milhões de pessoas se ergam para os impedir. Confira aqui:

 

Domingo de manhã: Fomos a várias igrejas progressistas – para divulgar o Apelo Para Parar o Regime Fascista Trump-Pence Antes de Ele Começar emitido pela Recusar o Fascismo (RefuseFascism.org) e para estabelecer contactos.

13:00: Depois de algum descanso, reagrupámo-nos para uma breve discussão da primeira FAQ [Lista de Questões Frequentes] sobre a RefuseFascism.org. Esta FAQ aponta para a combinação de fatores que poderiam convergir para impedir que o regime de Trump e Pence tome todas as rédeas do poder. Um dos fatores são os reais conflitos entre a classe dominante. Estes estão a agudizar-se e a vir cada vez mais à superfície a cada dia que passa, o mais recente dos quais entre as agências norte-americanas de informações e Trump. Mas, estes conflitos não redundarão em nada de bom sem o segundo fator principal descrito na FAQ: um gigantesco emergir em toda a sociedade de milhões e milhões de pessoas decididas a impedir a imposição de uns Estados Unidos fascistas. Esta “insurreição vinda de baixo” poderia criar o tipo de crise política que compila diferentes fações da estrutura do poder estabelecido que têm diferenças reais com Trump-Pence a resolverem a crise impedindo-os de tomarem as rédeas do poder. Este nível de resistência decidida tem uma base nas profundas ondas de choque de indignação e angústia que têm vindo a passar pelos corações de milhões de pessoas devido ao caráter fascista do regime de Trump e Pence – é nisto que nos estamos a basear e é para isto que nos estamos a organizar.

14:30: Antes de voltarmos a sair, filmamos um curto vídeo a apelar para as manifestações noturnas que terão início a 14 de janeiro e que irão crescer, noite após noite – de centenas para milhares, e de milhares para milhões. Estas manifestações estarão centradas em Washington DC e terão início às 16:00 de 14 de janeiro na Praça McPherson (Rua I e 14ª Rua NW), mas também irão ocorrer por todo o país para aqueles que não podem ir a DC. Estão a ouvir isto, toda a gente? Se houver qualquer possibilidade de irem a DC, mexam-se para lá ir. Venham e #FloodDC [Inundem Washington DC]! Fiquem nas ruas, recusem-se a partir, no próprio centro do poder. Sim, estamos a falar com VOCÊS. Vejam este vídeo e depois propaguem-no em todo o lado nas redes sociais – usem a etiqueta #NoFascistUSA.

 

16:00: Alguns de nós assistimos à reunião massiva de pessoas que estão a planear os protestos da #DisruptJ20 [Interromper o 20 de janeiro], para levarem a cabo um protesto não violento e uma resistência política no dia da tomada de posse. Estavam lá cerca de 300 pessoas, representando diferentes movimentos e organizações. Alegrámo-nos ao ouvir falar dos planos das manifestações – muitas delas de resistência ao J20, de protesto contra a “Deploraball” [Baile Deplorável] da Alt-Right [Direita Alternativa] a 19 de janeiro, para uma Convergência Climática a 18 de janeiro e muito mais – e para divulgar amplamente o convite a que todos se juntem aos esforços que irão levar ao J20. Veja aqui os eventos que eles estão a preparar.

18:30: Estive no programa de rádio da Fran Luck, Rádio da Alegria da Resistência Feminista Multicultural, na estação WBAI. Fran é, tal como eu, uma co-iniciadora da RefuseFascism.org e falámos da necessidade urgente de parar este regime antes de ele consolidar as suas mãos no poder e de confrontar de facto todo o horror que uns Estados Unidos fascistas significaria para a humanidade, e depois falámos de algumas das bases e meios através dos quais este regime fascista poderia ser parado. Fran destacou o recente anúncio de página inteira que a RefuseFascism.org colocou no jornal The New York Times, e cada uma de nós fez perguntas inquiridoras e realçou a urgência de nos erguermos desde já.

Discutindo aprofundadamente com os estudantes: Ao longo do dia, tivemos várias oportunidades para trocas muito profundas de ideias com um grupo de estudantes universitários. Quando eles nos perguntaram quem éramos, oferecemo-nos para lhes mostrar o nosso novo vídeo que tínhamos acabado de editar pouco antes. Quando acabou, todos os dez estudantes rebentaram em aplauso. Alguns falaram com grande emoção sobre como, nos dias após as eleições, eles e muitos dos amigos deles estiveram a chorar repetidamente e a sentir-se profundamente deprimidos. Um jovem negro relatou a experiência do pai dele que cresceu no tempo da segregação Jim Crow [as leis de segregação racial em vigor nos EUA até 1965] e como ele tinha ficado ofendido quando Trump, durante a campanha, perguntou aos negros: “O que é que vocês têm a perder?” Ele disse: “O que temos a perder são todas as coisas pelas quais a geração do meu pai lutou: a Lei do Direito de Voto, o direito básico a sermos tratados como iguais, a capacidade de nos sentirmos seguros... Eu estou assustado.” Um jovem estudante branco disse-nos que apenas alguns meses antes ele tinha escrito um artigo a explorar a questão de saber se Trump é realmente um fascista ou não: “Eu concluí que ele é um fascista.”

Estes estudantes, e muitos dos outros com quem nos estamos a começar a ligar aqui, estão a dar voz ao profundo reservatório de oposição a Trump-Pence que existe. Fizemos planos com alguns deles para se juntarem às nossas brigadas a ir às universidades e comunidades locais amanhã e no dia seguinte.

Amanhã: Mantenham-se atentos...

 

Entrevista com o artista revolucionário Dread Scott:

Greve da Arte J20, um outro movimento de resistência nas Artes e a luta para PARAR o regime fascista

O Jornal Revolution/Revolución/revcom.us falou recentemente com o artista revolucionário Dread Scott. Este é um excerto editado da entrevista.

Revolution/Revolución: Houve um apelo de artistas e críticos conhecidos a apelar a uma Greve da Arte a 20 de janeiro [J20] contra a tomada de posse de Trump. Tu és um dos signatários. Fala-nos sobre este apelo.

Dread Scott: A Greve da Arte J20 é uma ideia que tem muitos artistas famosos e respeitados, bem como críticos e historiadores que estão a apelar aos museus e galerias e a outras instituições de arte que encerrem no dia da tomada de posse. E é pensada especificamente no contexto das ações do J20, interrupções que estão a ser convocadas por vários grupos à volta da tomada de posse. Por isso, seria uma coisa boa se as instituições culturais decidissem encerrar ou participar de outras maneiras e pensassem dizer: NÃO!, nós não vamos normalizar este regime fascista que está a chegar ao poder. Assim, o impulso e a intenção do apelo são algo que vem no momento certo. Há um apelo a uma greve, e se isso acontecesse, isso seria bom, mesmo uma coisa boa.

Dito isto, algumas pessoas da área cultural divulgaram este apelo – mas depois há a questão de transformar esta ideia de um grupo relativamente pequeno de artistas e pessoas da cultura, mas famosas, a uma ação de facto. Eu penso que esta é a questão. E também está relacionado com a organização Recusar o Fascismo. Está aqui um apelo que é muito aguçado a dizer o que este regime Trump-Pence representa. Tem signatários muito respeitados e tem ativistas a organizarem-se furiosamente à volta dele, para mobilizarem milhões de pessoas para as ruas para dizerem: não aceitamos este regime e vamos ficar nas ruas. E no entanto há uma fenda entre este apelo e esses milhões de pessoas – e as pessoas que estão a trabalhar para fechar essa fenda.

Com o apelo à Greve da Arte, o facto de pessoas como Cindy Sherman e Richard Serra o terem assinado é mesmo uma boa base para avançar. Mas depois tem de avançar e não ser só uma declaração, mas conseguir que algumas dessas instituições o façam de facto.

Revolution/Revolución: E a perspetiva do apelo à Greve da Arte é que essas diferentes instituições encerrem ou façam outras ações, e que tenham um impacto na sociedade em geral?

Dread Scott: Bem o que ele diz é: J20, um ato de não-aceitação no dia da tomada de posse. Sem trabalho. Sem escolas. Sem lojas. Museus, salas de concertos, galerias, estúdios, escolas de artes, universidades, encerrem durante todo o dia. Saiam às ruas. Tragam os vossos amigos. Lutem. Assim, é uma frente cultural antifascista. Assim, a ideia é fazer com que essas instituições encerrem. O pensamento deles, de alguns dos iniciadores disto, tem dois aspectos. Um, fazer com que as instituições queiram encerrar. E dois, eles acreditam que algumas das pessoas que trabalham nas instituições podem ter mais interesse e desejo de as encerrar que os dirigentes das instituições. Eles pensam que se os dirigentes desses maiores museus não os fecharem, que tal se os funcionários decidissem não aparecer – então eles seriam forçados a encerrar.

Revolution/Revolución: Recentemente houve uma controvérsia em torno do Museu de Arte de St. Louis que emprestou uma obra de arte para a tomada de posse, e depois uma artista e uma historiadora de arte levaram a cabo um protesto contra isso.

Dread Scott: Sim, isso foi importante. O Museu de Arte de St. Louis estava a tentar não fazer muito barulho sobre o empréstimo dessa peça mas, quando se soube, muitas pessoas disseram: porque o estão a apoiar? Em particular, com a peça em questão, cujo título é O Veredicto do Povo. É uma pintura histórica que mostra a contagem de votos. Quando as pessoas souberam do empréstimo, houve uma petição assinada por duas mil pessoas, iniciada por uma artista e por uma historiadora de arte algo proeminentes, e elas perguntaram porque é que o Museu de Arte de St. Louis tinha de dar a sua legitimidade e estatura a este regime fascista. E elas apelaram a que o museu não emprestasse a obra. Isto foi importante.

A maneira como o fascismo funciona é que todo o tipo de instituições tem de mudar e apoiá-lo. Ou não – as pessoas têm de fazer uma escolha. Veja-se as pessoas da empresa tecnológica Oracle, quando o seu CEO disse que ia trabalhar na equipa de transição de Trump, uma das pessoas proeminentes da companhia disse não, eu não estou a apoiar Trump. O CEO tinha dito a Trump: nós estamos à sua disposição. E esse outro administrador de topo demitiu-se e disse: eu não estou aqui para apoiar Donald Trump – eu não vou ajudar a criar uma base de dados de muçulmanos. Este espírito de não-aceitação e desafio precisa de se propagar a toda a sociedade. Por isso, aquilo que está a ser questionado por este artista e historiador de arte é: porque é que este museu deve aplaudir este racista, fascista e xenófobo promotor da guerra? Porque é que se deve normalizar isso e se deve aceitar e promover isso?

Revolution/Revolución: De que outros tipos de resistência tens conhecimento entre os artistas e na esfera cultural?

Dread Scott: Parte do que tenho conhecimento é o que está no sítio revcom.us e no jornal Revolution/Revolución. A secção que vocês têm sobre as Vozes de consciência e resistência na era de Trump e Pence é na verdade muito importante. É a lista desse tipo mais extensa que eu conheço que anda por aí. É um compêndio que as pessoas devem ir ler. Grande parte dela é um agregador de resistência. Mas é muito útil para se ter uma compreensão do que está a acontecer.

Algumas outras coisas: Quando falamos às pessoas sobre a Recusar o Fascismo e o apelo dela, há muitos artistas, refletindo um setor mais vasto da sociedade, que estão profundamente angustiados e transtornados com o que está a acontecer, e estão à procura de formas de agir. Alguns estão a agir, outros estão à procura de formas de agir. Há muitas artistas mulheres que irão à marcha das mulheres do dia a seguir à tomada de posse. E as pessoas estão muito, muito furiosas. Há uma exposição de arte chamada #PussyPower em Brooklyn que eu não vi, mas que tem artistas feministas jovens e mais velhas que estão furiosas por este patife misógino, por esta incorporação da cultura de violações, estar prestes a ficar na Casa Branca.

Sei que há artistas que estão a começar a fazer arte para algumas das próximas manifestações. Muitos artistas estão a tentar descobrir como fazer cartazes para as pessoas levarem nalgumas das manifestações. Há um coletivo de artistas chamado Justseeds que está a trabalhar com uma fundação chamada Fundação Amplificador para produzir arte para a marcha das mulheres. Alguns dos artistas são anarquistas radicais e feministas, que estão a tentar perceber como responder neste momento. Os artistas estão a percorrer toda a escala para tentarem perceber como fazer obras para este momento, para perceberem como fazer com que as vozes da audiência deles sejam parte de impedir esta movimentação para o fascismo. Penso que ainda não está tudo totalmente trabalhado. As pessoas estão a tentar descobrir maneiras de agir.

Há cada vez mais artistas que estão a assinar a declaração NÃO! da RefuseFascism.org. Inclusive, acabei de ouvir dizer recentemente que uma artista chamada Simone Leigh, que é muito conhecida, assinou o apelo. Há um par de meses, ela teve uma exposição no New Museum, que é um museu de média dimensão em Nova Iorque sem coleções. Como parte dessa exposição, ela fez uma série de eventos públicos chamada “Artistas Negras A Favor do Movimento As Vidas dos Negros São Importantes”. Foi muito desafiador – usando aquela instituição para desafiar os assassinatos policiais que estão a acontecer a um nível alarmante neste país. Ela é uma artista negra muito respeitada, não jovem mas não velha, que há apenas dois meses estava a apelar de uma maneira muito pública ao fim do encarceramento em massa e dos assassinatos pela polícia. E agora ela está a dizer que temos de assinar este apelo NÃO! e a apelar às outras pessoas.

Simone Leigh acrescentou o nome dela aos signatários do apelo NÃO!, entre os quais estão muitas pessoas da cultura em geral. Só nas artes visuais, entre os signatários estão artistas muito importantes: Charles Gaines, Dawoud Bey, Julie Mehretu, Danny Simmons e eu. Eu assinei esse apelo e estou a organizar artistas para o assinarem e a assumir o espírito disto, porque precisamos urgentemente disto. O Apelo começa com “Em Nome da Humanidade” e isto é realmente um importante ponto de partida. Como revolucionário e comunista, eu aprecio realmente que este apelo comece assim e que depois, de uma maneira muito consolidada, combata o fascismo que está no centro do programa Trump-Pence e que apele ao desafio e resistência em massa para o impedir – ANTES que comece. Há milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro, incluindo muitas neste país, que estão a contar connosco para não deixarmos que o fascismo de Trump e Pence se aferrolhe no lugar. Não ao muro. Não às deportações. Não ao racismo. Não ao agarrar de vaginas. Não à negação da ciência. Não à repressão da dissensão. Não às armas nucleares.

Há os Artistas Degenerados Contra o Fascismo que Ted Sirota, o músico de jazz de Chicago, tem mantido, como parte da RefuseFascism.org.

Há muita coisa a acontecer. E quando se tem pessoas como Richard Serra, que é provavelmente o mais importante artista norte-americano do pós-guerra, a assinar um apelo para uma greve da arte – isto chega a todo o tipo de lugares, dos estudantes das escolas de arte a outros artistas muito importantes, a pessoas que estão a tentar perceber que fazer, como agir, desde exposições de arte a manifestações e a usarem as suas vozes públicas. É mesmo uma boa base para avançar.

 

Atualização sobre o Espetáculo de Estrada Resistência Earth2Trump: 500 pessoas em Tucson, Arizona

A 7 de janeiro em Tucson, Arizona, 500 pessoas assistiram ao mais recente concerto esgotado organizado pelo Centro para a Diversidade Biológica, parte do seu espetáculo de estrada em 16 cidades contra Donald Trump, chamado Earth2Trump [Da Terra Para Trump]. As duas partes do espetáculo tiveram início em Seattle e Oakland a 2 de janeiro (ver aqui uma correspondência do revcom.us sobre a estreia) e deve chegar a Washington, DC, a 20 de janeiro como parte dos protestos contra a tomada de posse de Trump. Os organizadores do Earth2Trump descrevem o espetáculo como a “construção de uma vasta rede de resistência ao próximo Presidente Trump” e “a todas as formas de opressão e ataques ao meio ambiente”. Em cada paragem, há um espetáculo gratuito que inclui música ao vivo e oradores. O evento de Tucson aconteceu a seguiu a um espetáculo com 200 pessoas em Reno na noite anterior e a eventos igualmente esgotados em Oakland, Seattle e Portland nos dias anteriores.

Nos espetáculos e na internet, as pessoas também têm assinado o Compromisso de Resistência nacional ao ataque de Donald Trump ao meio ambiente, à democracia e aos direitos civis nos Estados Unidos, que em parte diz:

Comprometo-me a erguer-me em resistência ao ataque de Donald Trump ao ar limpo, à água limpa, ao clima, à vida selvagem, aos direitos civis, aos direitos reprodutivos, à igualdade racial e de género e à liberdade de expressão e religião nos Estados Unidos.

Comprometo-me a erguer-me em solidariedade com as pessoas ameaçadas pela violência e a intimidação devido a quem são, aquilo em que acreditam ou à oposição delas à perigosa agenda de Trump.

Donald Trump é uma ameaça sem precedentes à democracia, à saúde e ao meio ambiente da nossa nação. Não devemos deixar que ele desmantele a Agência de Proteção Ambiental, esvazie as Leis do Ar Limpo e das Espécies em Perigo, invada as nossas terras públicas, elimine os regulamentos que protegem as comunidades pobres da poluição, deporte milhões de pessoas, retire a nossa liberdade reprodutiva ou force milhões de pessoas a viverem no medo. Prometo resistir a Trump através da ação.

No momento em que escrevemos, 23.450 pessoas já tinham assinado o Compromisso.

 

 

A equipa de Trump de teocratas, criminosos de guerra, vampiros e neonazis

28 de dezembro de 2016, atualizado

 

Se permitirmos que Donald Trump ocupe a presidência dos EUA, ele colocará no lugar uma cabala de:

  • Teocratas fundamentalistas cristãos...
  • Criminosos de guerra que apoiam a tortura e o assassinato de crianças inocentes...
  • Inimigos vampíricos do ensino público, da habitação social e do meio ambiente...
  • Fundamentalistas cristãos que querem impor às mulheres papéis que seriam uma imagem ao espelho daqueles a que as mulheres estão sujeitas em regimes fundamentalistas islâmicos...
  • E o principal estratega e conselheiro sénior dele que se vangloria de fornecer uma plataforma aos neonazis.

 

A equipa de Trump inclui até agora:

O currículo fascista do principal estratega de Trump, Steve Bannon

Uma das primeiras decisões de Donald Trump como presidente-eleito foi nomear Steve Bannon como seu principal estratega e conselheiro sénior. Bannon geriu a campanha de Trump. Antes disso, ele era o dono e a força no terreno por trás do sítio da rede noticiosa Breitbart News Network. Os principais órgãos noticiosos e o próprio Bannon chamam à política de Bannon, “conservadora”, “direita alternativa” ou “nacionalista branca”. É pior que isto.

“Erguer a bandeira confederada”

17 de junho de 2015, Charleston, Carolina do Sul: nove pessoas de um grupo de estudo da Bíblia na Igreja Episcopal Metodista Africana Emanuel foram assassinadas pelo racista branco Dylann Roof. Roof disse que tinha levado a cabo o massacre para iniciar uma “guerra de raças” para fazer retroceder os Estados Unidos aos dias da segregação aberta. Ele colocou online fotografias dele com símbolos pró-Hitler e uma bandeira confederada. Parte da resposta a isto, de uma forma muito ampla em toda a sociedade, foi uma erupção de indignação contra as bandeiras confederadas, bandeiras da escravatura e dos linchamentos.

A resposta da Breitbart: um artigo com um cabeçalho “Ergam-na alto e com orgulhoso: A bandeira confederada proclama uma herança gloriosa”. Steve Bannon dirigia a Breitbart quando o artigo foi publicado. Ele assinou por baixo e, como editor no terreno, provavelmente instigou-o...

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A escolha de Trump para Secretário da Defesa: o General James “Cão Raivoso” Mattis, dos marines

Donald Trump escolheu o General aposentado James “Cão Raivoso” Mattis, dos marines (fuzileiros navais), como seu Secretário da Defesa. Ele é o mais recente acréscimo à equipa de cavaleiros da tempestade de Trump. O mantra de Mattis: “Sê cortês, sê profissional, mas tem um plano para matares toda a gente que encontrares”.

Mattis obteve a alcunha dele, “Cão Raivoso”, pelo seu papel a liderar as tropas norte-americanas na devastação da cidade iraquiana de Fallujah em novembro de 2004, massacrando tanto insurgentes como civis. A maior parte dessa cidade moderna de 300 mil habitantes foi completamente destruída, reduzida a escombros. Pelo menos 60 por cento dos mortos eram mulheres, crianças e velhos. Um jornalista escreveu: “Nunca houve nada como o ataque a Fallujah desde a invasão e ocupação nazi de grande parte do continente europeu – o bombardeamento e desgaste de Varsóvia em setembro de 1939, o bombardeamento de terror de Roterdão em maio de 1940.”

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O Conselheiro de Segurança Nacional de Trump: Tenente-General Mike Flynn – “em guerra com o Islão”

Esta semana Trump nomeou o Tenente-General Mike Flynn como seu Conselheiro de Segurança Nacional, um dos lugares mais poderosos da política externa no governo. O Conselheiro de Segurança Nacional é geralmente o principal conselheiro de política externa do presidente e o coordenador chave na implementação das decisões dele. Flynn é visto como um dos mais próximos e mais fanáticos dos conselheiros de Trump. (Durante a Convenção Nacional Republicana, ele juntou-se aos gritos anti-Hillary Clinton, “Prendam-na!”)

Flynn, um general de três estrelas aposentado do Exército e antigo chefe da Agência de Informações da Defesa (DIA, o braço de espionagem do Pentágono), defende que os EUA estão numa guerra global, não só contra os jihadistas islâmicos mas contra o próprio Islão. Na realidade não é uma religião, alega Flynn, mas sim uma ideologia política perigosa. Flynn chamou ao Islão um “cancro” e disse que “o medo dos muçulmanos é racional”. Em abril de 2015, ele disse ao canal noticioso Fox News: “Eu estive em guerra com o Islão, ou uma componente do Islão, durante a última década.”

Flynn defende encarniçadamente que os EUA não deveriam ser limitados pelos direitos humanos, pelo direito internacional, pelas regras de compromisso, nem por outras formas de “correção política”, mas que deveriam combater desapiedadamente esse “inimigo existencial”. (Esta posição e a crítica aberta dele à “brandura” e “mentiras” do governo de Obama sobre os fundamentalistas islâmicos provavelmente levaram à demissão dele em 2014 de chefe da DIA.)

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A escolha de Trump para a CIA: Mike Pompeo – defensor da tortura e da destruição do estado de direito

Mike Pompeo quer expandir a capacidade do governo para espiar milhões de pessoas. Defende a legalização e a implementação da tortura. É campeão do esvaziamento dos direitos civis fundamentais. E agora Trump nomeou este congressista e ex-oficial do Exército para encabeçar a Agência Central de Informações – a CIA – um dos braços mais poderosos e mortíferos do aparelho repressivo do governo norte-americano.

Pompeo opôs-se ao fim da capacidade de a Agência Nacional de Segurança (NSA) recolher registos telefónicos, ou metadados, em massa. Pelo contrário, ele apelou ao Congresso que expandisse a espionagem e “aprovasse uma lei que restabeleça a recolha de todos os metadados, combinando-os com as informações financeiras e de estilo de vida publicamente disponíveis, numa base de dados global e pesquisável. Os impedimentos legais e burocráticos à vigilância devem ser removidos.” (Wall Street Journal, 3 de janeiro de 2016)

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Ben Carson: um destruidor da habitação social, um defensor da segregação racial, um fundamentalista cristão lunático... e um novo e perigoso membro da “Legião dos Danados” de Trump

Segundo qualquer padrão convencional, Ben Carson é uma piada obscena como Secretário da Habitação e do Desenvolvimento Urbano (HUD). Há menos de um mês, Armstrong Williams, um amigo íntimo de Carson, disse que Carson sentia que iria “estropiar a presidência” numa posição governamental, porque, “o Dr. Carson sente que não tem nenhuma experiência governamental, ele nunca administrou uma agência federal”.

Mas há um método fascista nesta loucura. A escolha de Carson por Trump para encabeçar a HUD pôs alguém que quer dizimar a habitação social e acabar com todas as interferências governamentais à segregação e que é um fundamentalista cristão lunático numa posição de poder no governo norte-americano.

Ben Carson diz que qualquer tentativa do governo para lidar com a discriminação na habitação social é um “esquema de engenharia social por mandato”. Ele diz a micro-fina rede de segurança que proporciona às pessoas pobres, aos residentes dos bairros pobres das cidade e às pessoas negras e castanhas um abrigo habitável – se algum – em bairros sociais perigosos e em refúgios imundos para os sem-abrigo também é demasiado – que ela encoraja à “dependência”. O que é que acham que uma nomeação como esta significa para as pessoas para quem os desprezíveis programas governamentais atuais são uma questão de sobrevivência?

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O embaixador de Trump em Israel: assinalando um punho de ferro no Médio Oriente

A 16 de dezembro, Donald Trump anunciou a nomeação de David Friedman como embaixador norte-americano em Israel.

Um jornal israelita descreveu Friedman como “mais de linha dura nos seus pontos de vista que o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu”, o atual líder de Israel e conhecido por invadir a Faixa de Gaza e sacrificar milhares de civis palestinos. Um comentador israelita disse que Friedman “poderia ter lugar” num dos partidos extremistas de Israel, “mas só nas suas franjas de direita”. O historiador militar Andrew Bacevich disse que se estivermos à procura de estabilidade no Médio Oriente, isto sinaliza mudanças que nos irão “colocar exatamente na direção oposta, (...) aumentando a possibilidade de violência” e de “estender os conflitos que têm submergido aquela parte do mundo”.

Friedman é um apoiante fanático de Israel e um fascista total. A orientação dele é de dar apoio integral às posições mais direitistas e às forças mais radicais na sociedade israelita, e de atacar e demonizar o povo palestino e qualquer pessoa que apoie ou mesmo que simpatize com ele, incluindo um grande número de judeus em Israel e nos EUA.

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Scott Pruitt é a escolha de Trump para encabeçar a EPA: um regime empenhado em destruir a vida na Terra

Scott Pruitt é o candidato de Donald Trump para chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA). Como Procurador-Geral do Oklahoma, Pruitt foi um cão de caça radical da indústria dos combustíveis fósseis. Ele combateu até mesmo os muito limitados passos que o governo de Obama deu para tentar conter as alterações climáticas globais. Combateu os regulamentos da água e do ar limpos que estão em vigor há décadas. Pruitt, e o regime de Trump, representam uma escalada extrema do perigo que a humanidade enfrenta.

Scott Pruitt é um negacionista das alterações climáticas. Ele irá dirigir a EPA para um presidente que declara, beligerantemente e sem qualquer suporte científico, que as alterações climáticas são uma farsa. Pruitt é obcecado com a eliminação de obstáculos ao fracking [pesquisa de petróleo por fratura]. No Oklahoma, isso já conduziu a uma desastrosa calamidade ambiental. Num estado que estava essencialmente habituado a não ter terremotos, o fracking conduziu a uma situação onde uma reserva índia de nativos americanos sofreu 816 terremotos num ano. Ele foi um ponta-de-lança na luta pela extensão do perigoso oleoduto Keystone XL. Ele é um fervoroso promotor das minas de carvão. O currículo dele como Procurador-Geral do Oklahoma inclui transcrever literalmente a propaganda mentirosa dos lobistas da indústria petrolífera e de a colocar nos cabeçalhos oficiais da correspondência do governo para as agências federais.

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Mike Pence: um fascista cristão que está muito próximo da Presidência norte-americana

Os Estados Unidos irão ter agora um vice-presidente que quer banir todos os abortos, acabar com as leis que impedem a discriminação contra as pessoas LGBT, liberar completamente a polícia para parar e revistar os negros e outras pessoas oprimidas e dar outros passos extremos que irão conduzir a novos e horríveis saltos na repressão. Mike Pence cita versos da Bíblia para apoiar essas horrendas posições políticas. É um fascista cristão que será o número 2 na Casa Branca.

Segundo foi noticiado, um dos filhos de Trump disse antes das eleições que o vice-presidente do pai iria ser “o mais poderoso vice-presidente da história”, responsável pela política interna e externa enquanto Trump se concentra em “tornar os Estados Unidos grandiosos”. O pessoal de Trump negou a noticia – mas, em todo o caso, Pence irá ter um enorme domínio. Ele já está a representar um papel principal, incluindo na escolha do governo e de outros responsáveis. Ele reuniu-se com altos responsáveis republicanos na Câmara dos Representantes e disse-lhes para “apertarem o cinto” para andarem depressa, tornando claro que irá representar um papel principal a empurrar leis fascistas para o Congresso. Como disse o escritor Jeremy Scahill (num artigo no TheIntercept.com): “Mike Pence será o supremacista cristão mais poderoso da história dos EUA.”

Pence faz parte de um movimento fascista cristão que visa impor à sociedade um governo, leis e uma moralidade dominante com base em rígidas interpretações da Bíblia. Segundo um artigo da Slate.com, quando Pence era um congressista do estado do Indiana, “o pessoal auxiliar e outros políticos viam-no frequentemente a ler a Bíblia dele, e Pence citava versos específicos para justificar argumentos políticos. ‘Estes passaram o teste do tempo’, disse ele a um membro do pessoal. ‘Eles têm valor eterno’.” Ele fez um discurso anti-teoria da evolução do púlpito da Câmara dos Representantes em que disse que acredita na “criação inteligente” (uma alegação não cientifica de que a vida é demasiado complexa para ter evoluído e só pode ser obra de Deus) e defendendo que ela seja ensinada nas escolas.

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O Procurador-Geral de Trump, Jeff Sessions: uma pessoa que impõe a supremacia branca e um sistema patriarcal extremo

Esta semana, Donald Trump selecionou Jefferson Beauregard Sessions III, um supremacista branco de longa data do Alabama (e senador norte-americano), para próximo Procurador-Geral dos Estados Unidos.

Sessions obteve atenção nacional inicialmente em 1986, quando foi nomeado juiz federal por Ronald Reagan. Nas audições de confirmação dele, foi exposto que em 1984, quando ele era procurador no Alabama, Sessions encabeçou a acusação de três defensores dos direitos civis dos negros por tentarem registar negros para votarem em zonas do Alabama onde virtualmente nenhum negro tinha conseguido votar antes – zonas próximo da infame cidade de Selma. Eles enfrentavam 100 anos de prisão. Os três foram absolvidos por um júri ao fim de quatro horas.

Na audição de confirmação dele, um associado testemunhou que Sessions tinha chamado a uma advogada branca dos direitos civis uma “desgraça para a raça dela” por litigar casos de direito de voto.

Um ex-procurador adjunto negro testemunhou que Sessions tinha “declarado que acredita que a NAACP, a Conferência da Liderança Cristã do Sul, a Operação PUSH e o Conselho Nacional das Igrejas eram todas organizações não americanas que ensinavam valores antiamericanos”. E que Sessions dissera que tinha acreditado que não havia problema com o Ku Klux Klan até ter tido conhecimento de que os seus membros fumavam marijuana, algo que o ex--procurador testemunhou não ser uma piada, mas algo que ele tomou como “uma declaração séria” sobre os pontos de vista de Sessions. Sessions fez aquela declaração desprezível sobre o KKK na sequência do julgamento de dois membros do KKK por terem cortado a garganta de um negro em Mobile, no Alabama.

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Tom Price, a escolha de Trump para a Saúde e os Serviços Humanos: um destruidor dos cuidados de saúde para os pobres e as mulheres

As escolhas de Trump para o governo dele incluem inimigos do ensino e habitação públicos e do meio ambiente para encabeçarem os departamentos que lidam com esses assuntos. Agora, para o Departamento da Saúde e do Serviços Humanos (HHS), Trump escolheu Tom Price, um vampiro que pretende esvaziar os cuidados de saúde, sobretudo para os pobres, e proibir o aborto.

Tom Price é cirurgião, congressista da Geórgia e membro da comissão política do fascista Partido do Chá. Price foi uma parte importante dos repetidos esforços no Congresso para aprovar propostas que iriam minar ou revogar a Lei dos Cuidados Razoáveis (ACA), a lei de saúde de Obama. Uma declaração de um grupo de médicos, assinada por milhares de médicos, dizia que as políticas de Price que atacam os cuidados públicos de saúde “ameaçam causar danos aos nossos pacientes mais vulneráveis e limitar o acesso deles aos cuidados de saúde”. (Ver “Milhares de médicos contestam a escolha de Trump para encabeçar a Saúde e os Serviços Humanos” na nossa página “Vozes de consciência e resistência na era de Trump e Pence”.)

A verdade é que a ACA (ou “Obamacare”) não é uma verdadeira solução para a evidente situação em que dezenas de milhões de pessoas não conseguem obter cuidados de saúde, com milhares de pessoas a morrer desnecessariamente, num país que tem uma “indústria” de cuidados de saúde tecnologicamente avançada – e muito lucrativa. Face à crescente indignação das pessoas em relação a isto, vários setores da classe dominante sentiram necessidade de conter os custos da saúde e de ampliar de uma forma limitada a cobertura dos seguros. A ACA foi um plano capitalista para manter a rentabilidade dos capitalistas que têm muito em jogo na saúde, ao mesmo tempo que têm em conta os interesses de outros capitalistas, e para fazer algumas concessões para esmagar uma fonte de indignação política contra o sistema. Mas, desde o inicio, a ACA foi um alvo de Price e de outros republicanos que promovem o ponto de vista de que o governo não tem nenhuma responsabilidade por nada que tenha a ver com o bem-estar e a segurança social das pessoas – e que qualquer tentativa de suavizar o impacto predatório do “mercado” capitalista sobre as pessoas prejudica os interesses do sistema capitalista deles.

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A nova Secretária da “Educação”, DeVos: cortar no ensino público, impor o fascismo cristão

Donald Trump nomeou Betsy DeVos para Secretária da Educação.

Betsy DeVos lidera a Federação Norte-Americana Para as Crianças. Trata-se de uma organização que se descreve a si mesma como “a organização de lidera a campanha nacional de promoção da escolha escolar, com um enfoque específico na defesa dos vales escolares, dos programas de crédito nos impostos para as bolsas de estudos e das Contas-Poupança na Educação.” (ênfase nossa)

Tradução:

Escolha escolar: Permitir que os pais brancos evitem enviar os seus filhos para escolas públicas integradas. Isto priva as escolas públicas de fundos. Deixa-as com um elevado número de estudantes com necessidades especiais e sem recursos para fornecerem um ensino decente às crianças.

Vales escolares: Uma ferramenta para canalizar financiamento estatal para as escolas privadas e religiosas (esmagadoramente cristãs). E assim fazendo com que o governo financie as escolas cristãs, embora isso seja supostamente inconstitucional. Os pais obtêm vales e podem usá-los para pagar as propinas das escolas cristãs segregadas.

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Rick Perry – um fascista cristão lunático prestes a ser Secretário da Energia

A escolha de Trump para Secretário da Energia é Rick Perry, o ex-governador do Texas. Toda a principal imprensa salientou que, quando se candidatou a presidente em 2012, Perry declarou num debate presidencial televisivo que estava a planear eliminar três departamentos federais, mas esqueceu-se do nome do terceiro, o mesmo Departamento da Energia para cuja liderança ele foi agora nomeado.

Apesar de quão cómico e desajeitado isto o possa fazer parecer, há ramificações muito mais assustadoras ligadas à nomeação de Perry do que ser um palhaço. O Departamento da Energia é responsável por conceber armas nucleares, velar pelo arsenal nuclear norte-americano e desenvolver e guiar a política energética. É muito influente na tomada de decisões sobre a direção da ciência fundamental nos EUA.

Agora, a política nuclear e energética dos EUA irá estar nas mãos de um homem com uma hostilidade declarada aos factos e à ciência e com profundas ligações a fundamentalistas cristãos fanáticos.

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