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| Milhares de manifestantes
em Parliament Hill, Ottawa, 19 Agosto 2007 (Foto: CP / Jonathan Hayward) |
O seguinte artigo sobre o Canadá e o Afeganistão fez parte da preparação para esses protestos e explica as raízes da Aliança para a Segurança e a Prosperidade e do Conselho da Competitividade da América do Norte que lhe está intimamente associado. (Os “três amigos”, como os chefes de estado da ASPAN se chamam a si próprios, tinham planeado reunir-se no segundo dia da cimeira com o Conselho de CEOs e presidentes de multinacionais.) Este artigo foi publicado na edição de 18 de Maio de 2007 do Arsenal-Express, uma publicação online do Partido Comunista Revolucionário do Canadá (http://www.pcr-rcp.ca).
Este verão, um contingente das Forças Canadianas de Valcartier (arredores da Cidade do Quebeque) com cerca de 2000 soldados partirão para o Afeganistão. Esses soldados irão substituir as actuais forças canadianas baseadas em Kandahar e na região ao seu redor. Com este contingente, o Canadá passará a ser o mais importante elemento das forças imperialistas de ocupação da NATO no Afeganistão.
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Manifestantes contra a cimeira (Foto: bp3.blogger.com) |
E há casos mais recentes, como os dos prisioneiros afegãos (a maioria civis inocentes detidos arbitrariamente por motivos menores ou mesmo sem motivos) que foram conscientemente entregues às autoridades locais de Karzai, por quem foram espancados e torturados; os casos provados de corrupção e crimes de guerra cometidos por membros do governo de Karzai e pelos senhores da guerra seus parceiros; o apoio dos governos do Canadá e dos EUA a esse sistema abertamente corrupto e o seu apoio aos violentos senhores da guerra; tudo isto mostra que a contínua ocupação do Afeganistão pelo Canadá e pela NATO apenas traz mais sofrimento ao povo afegão. Traz o domínio militar imperialista e não a libertação. O seguinte facto é irrefutável: o povo afegão não pediu ao exército canadiano que viesse e ocupasse o seu país!
E, hoje em dia, essas forças canadianas de ocupação apoiam as forças nacionais de segurança de Karzai que rotineiramente usam a tortura contra civis, em total desprezo pelos mais básicos direitos internacionais. A 23 de Abril deste ano, o jornal Globe and Mail noticiou que elementos presos pelas tropas canadianas e entregues às autoridades afegãs tinham sido sujeitos a tortura. Esses detidos tinham sido mandados parar por forças canadianas, suspeitos de serem membros dos talibãs ou seus apoiantes. Na vasta maioria desses casos, os presos acabaram por ser libertados por falta de provas do seu envolvimento com os talibãs, mas não sem antes sofrerem um tratamento extremamente violento às mãos das autoridades, que envolveu electrocussão, espancamentos e outras violências físicas cruéis.
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| Rumo à embaixada dos EUA,
sob o olhar da polícia, Ottawa, 19 Agosto 2007 (Foto: CP / Jonathan Hayward) |
Nenhum país tem o direito a impor-se a si próprio ou ao seu sistema político aos povos de outras nações. Nenhum país tem o direito legítimo a impor uma guerra a uma população e a expô-la à miséria e à destruição. Nem pela força das armas, nem pela política, nem pela economia. E contudo esses crimes acontecem diariamente, cometidos no passado pelos imperialistas no Vietname, em África e na América Latina; e cometidos hoje pelos imperialistas no Afeganistão, no Iraque e na Palestina. Os intensos vínculos entre os interesses económicos dos Estados Unidos e do Canadá, que foram a verdadeira força por trás da invasão do Afeganistão, estão a ficar cada vez mais claros.
Em Janeiro de 2003, o Conselho Canadiano de Executivos Principais (CCCE) lançou a sua Iniciativa para a Segurança e a Prosperidade da América do Norte, sob a forma de uma cada vez mais forte parceria militar e económica com os Estados Unidos. Em Abril de 2004, o CCCE continuou a sua cruzada e anunciou: “A forma como nós e outros países respondem à inexorável ameaça do terrorismo e dos estados párias tem implicações vitais para o crescimento económico global tal como tem para o futuro do Canadá tanto como uma economia dependente do comércio como uma sociedade baseada na imigração. Em suma, para o Canadá e globalmente para o mundo, a segurança económica e a segurança física tornaram-se inseparáveis.” (“Construindo uma Aliança Canadá-Estados Unidos na América do Norte para o Século XXI”, Abril de 2004) Hoje em dia, os “terroristas”, bem como as forças armadas do Canadá, e os “estados párias”, como os EUA, destroem a segurança física e económica em todo o mundo, e o seu principal objectivo agora é o Iraque e o Afeganistão.
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| Polícias preparam-se para
mais um ataque aos manifestantes (Foto: bp2.blogger.com) |
Nós, aqui no Canadá, temos o dever de nos erguermos e nos opormos a esta guerra de ocupação levada a cabo pelo nosso governo e por toda a burguesia canadiana cujos interesses o governo defende. Temos o dever de exigir a retirada imediata das tropas canadianas do território afegão. E, este verão, teremos que dizer em voz alta e clara que os soldados de Valcartier que se estão a preparar para partir para esta guerra suja têm que permanecer aqui!
Canadá fora do Afeganistão! Soldados canadianos, fiquem nos vossos quartéis!