No dia 25 de Janeiro, partiu para o Afeganistão mais um contingente de tropas portuguesas que vai render e reforçar, aumentando-o para o dobro, o destacamento que ali permanece desde 2005.
Porque falta sempre dinheiro para melhorar pensões, salários,
saúde pública e educação – e não falta para enviar e manter tropas
no estrangeiro?
O governo cozinhou, com o CDS e o PSD, um orçamento que congela
salários, mantém milhares de desempregados sem subsídio e não aponta
uma medida sequer para travar os despedimentos.
Ao mesmo tempo, insiste em manter tropas e polícias fora das
fronteiras e prepara-se para aumentar o orçamento da Defesa com o
aplauso de Portas e Ferreira Leite. Nisto, todos se puseram de acordo
sem precisarem de negociações – basta tirar a quem trabalha e dar a
quem parasita.
Que fazem os soldados portugueses no Afeganistão?
Colaboram numa guerra alheia, iniciada por Bush e
prolongada por Obama. A missão da NATO, em que as forças portuguesas
se integram, é apenas o chapéu-de-chuva que presta auxílio à agressão
norte-americana.
Os EUA invadiram o Afeganistão em 2001 com o pretexto de combaterem
o terrorismo e defenderem a segurança do mundo.
Quase nove anos depois, tudo piorou no Afeganistão: produção e
tráfico de droga, corrupção, fraudes eleitorais, miséria generalizada.
Diante de uma resistência imparável, o terror maciço é a arma das
forças de ocupação, que bombardeiam populações civis e as privam de
tudo o que é essencial.
A segurança mundial está mais ameaçada: a guerra alastrou ao
Paquistão e uma nova agressão está em curso contra o Iémen.
As justificações das autoridades portuguesas não servem
Governo e demais autoridades justificam-se com os compromissos
assumidos no quadro da NATO. Mas o que está em causa é uma total
dependência diante dos interesses dos EUA e das potências europeias;
um atropelo dos direitos dos povos; e um completo desprezo pelos reais
interesses da população portuguesa.
A agressão ao Afeganistão (como ao Iraque e à Jugoslávia) viola o
direito internacional e a Constituição portuguesa; e faz tábua-rasa do
repúdio do povo português pela guerra.
Se os compromissos com a NATO, como se vê, nos arrastam para a
guerra, então devemos abandonar a NATO e reclamar a sua dissolução.
Por isso, exortamos o povo português
- A exigir a retirada das tropas portuguesas do Afeganistão e de
todas as missões da NATO; o fim da ocupação do Afeganistão; a
dissolução da NATO.
- A rejeitar a linha política seguida pelos governos e autoridades
portuguesas e a reclamar a adopção de uma política que defenda o
direito internacional e respeite a soberania dos povos.
- A repudiar a realização da Cimeira da NATO prevista para Novembro
no nosso país.
Plataforma Anticapitalista
Colectivo de Comunistas Revolucionários
Colectivo Mudar de Vida
Colectivo Política Operária
25 de Janeiro de 2010