11 de Setembro de 2001. Os EUA sofrem um maciço atentado perpetrado por terroristas que criminosamente ceifaram milhares de vidas inocentes. É esta a análise do cidadão comum, vista de uma forma superficial e até escandalosamente inocente. O problema é demasiado complexo.
Os Estados Unidos apenas sofreram aquilo que vêm fazendo impunemente há várias décadas. É claro que não podemos defender o terrorismo, seja ele qual for nas suas variadas formas. Mas não podemos esquecer que os EUA semeiam a morte, sempre a semearam, todos nós sabemos. Milhões de homens o sabem. A América é uma máquina de matar, a coberto dos seus ridículos e absurdos princípios democráticos. Sob a sua cabeça pesa o total apoio a tantos golpes fascistas que impuseram algumas das mais sanguinárias ditaduras da história.
Que lições de moral pode dar ao mundo quem impõe tão desumanamente bloqueios económicos a países pobres, destruindo as suas fracas economias e matando milhares de crianças por ano? Que moral pode ter este país que produziu genocídios em Hiroshima, Nagasaki, Vietname, Coreia, América do Sul, Jugoslávia, Bósnia, Kosovo, Iraque. Enfim, o rol de crimes é demasiado grande para os enumerarmos a todos. Um país que tantos criminosos instruiu a roubar a vida, a dignidade e a liberdade. Um país que é encarnação da própria morte, a morte traiçoeira, sofisticada. O país que até exterminou uma parte do seu povo e ainda glorifica tal acto.
Vítimas do terrorismo? Quem pode esquecer o Chile, Cuba, Granada, Panamá, Líbia, Somália? Alguns destes regimes eram tiranos? Talvez o fossem, não vamos negar evidências, mas meros aprendizes na arte de matar maciçamente. Ainda, por cima, aquilo que mais enoja é que algumas das balas que mataram fui eu e as incontáveis vítimas que as pagamos.
O atentado de 11 de Setembro é um acto hediondo praticado contra o povo americano, também ele vítima do seu próprio sistema. Um sistema que sobrevive apoiado no parasitismo global, no comércio da droga e das armas - manobras sub-reptícias de exploração esclavagista. Para os EUA a morte é, sem dúvida, a mãe do lucro. A morte global. O regime nazi, a dada altura, assumiu de uma forma animalesca os seus actos - mas não o faz quem quer.
Merda! Será que andamos todos cegos e não queremos ver! É triste que a Nação Humana seja tão comodista com o sofrimento da maioria dos seus membros. É triste que a ganância seja mais forte do que a possibilidade de se alcançar aquilo que todos os homens têm direito: a felicidade, enquanto seres vivos. A globalização não existe com vista à igualdade, à justiça - como até poderia ser. É antes imperialista. Em que o factor económico é o principal impulsionador, todos os outros vêm por arrastamento. Este "estado de sítio" social é propício a que se mate de raiva, de fome e... de todas as maneiras.
A sociedade sofre de um vazio ideológico, o que é grave. O dinheiro é hoje a sua ideologia. Mas esta forma de encarar a vida é demasiado frágil. O capitalismo tem dentro de si o gérmen da sua própria destruição. O capitalismo é um foco de conflitos, enquanto subsistir. Os "Osama Bin Laden" são o que são, não são piores do que os americanos. Os sanguinários que os EUA já amamentaram são seguramente piores e, ironicamente, alguns até mordem a mão de quem lhes dá de comer - como é o caso.
O que vai acontecer, então, a curto prazo? Perseguições, perda de direitos, aumento da censura - seguramente. A nível económico, também não há boas perspectivas - despedimentos, já há muito previstos devido à quebra dos lucros. Estes acontecimentos não são mais do que desculpas para o que já estava na calha das grandes multinacionais em fase de recessão. Segue-se o renascimento dos nacionalismos dos "Le Pen", "Berlusconi" e outras figuras de bem.
Vai-se então matar inocentes e destruir o pouco que ainda há para escaqueirar, o que ainda vai dar mais força a estas miniaturas de terrorismo. Vamos chamar os bois pelos nomes, os EUA são o país mais terrorista que já existiu e, hoje em dia, recordista da hipocrisia e do cinismo. É claro, a Velha Europa vai novamente baixar as calças e gritar "amen", ávida das migalhas que o Tio Sam deixa cair para debaixo dos pés - destaque para uma Inglaterra, nostálgica do seu grande império e dos métodos que tão bem ensinou, invejosa do aluno que suplantou o professor. E todos os países subservientes, feitos necrófagos, seja por interesses ou por falta de coragem, vão ajudar à barbárie.
No Afeganistão não há em marcha nenhuma operação de trazer à justiça identificados criminosos, apenas uma forma de vingança cega e surda. Nada mais. Não tenhamos ilusões. Quem vai pagar a factura são os inocentes de países considerados não civilizados pelos novos humanistas. Pois, ou morre-se a trabalhar, ou morre-se devido à disputa de meia dúzia de canalhas pela riqueza produzida pelos operários do mundo.
Já agora, quem sabe se Portugal, ridículo servo, mero aborto usado, manipulado e motivo de chacota, também não vai apoiar com as suas "sofisticadas forças armadas" esta pirataria universal!
Para terminar, não nos esqueçamos que temos responsabilidades na mudança desejada, todos nós, os que a queremos. Tomemos consciência que um só homem ou mulher, que seja, é importante nas lutas que se avizinham. Sem luta não há mudança. Vamos então começar por mudar a nossa mentalidade e a forma que encaramos esta vida - vida de luta.
Luta sempre!
01 Out. 2001