Recrutando Jovens Rebeldes para a Revolução

Tsomo era uma mulher do povo Memba de uma região fronteiriça do Tibete. Durante a Revolução Cultural, ela contou a história de como conheceu pela primeira vez os revolucionários maoistas. “Eu sou de uma família de servos, tão pobre que fui levada para trabalhar para outra família. Quando tinha 17 anos, os lamas disseram-nos que fugíssemos para as montanhas porque os Hans [a etnia maioritária na China – NT] estavam a chegar e que nos matariam, violariam e comeriam as crianças. Nós corremos e escondemo-nos numa falésia. E vimos o Chingdrolmami chegar [Chingdrolmami é o nome tibetano do Exército Popular de Liberação]. Os soldados acamparam perto da nossa aldeia. Estávamos à espera que eles levassem tudo com eles e queimassem os nossos campos e casas; mas, após um ou dois dias, vimos que não tocaram nos nossos campos, pelo que eu desci um pouco para os observar.

“Eles estavam a trabalhar. Sei agora que estavam a construir uma estrada... A minha mãe disse-me: ‘Não vás’. Mas eu desci de novo no dia seguinte e vi entre eles mulheres em uniforme. Uma delas viu-me a esconder-me atrás de uma pedra e, na minha própria língua, gritou-me para descer e para não ter nenhum medo. Ela era uma intérprete.”

Os soldados revolucionários mostraram a Tsomo como estavam a cuidar bem das vacas dos aldeões. Deram leite e manteiga a Tsomo para levar de volta aos aldeões escondidos. Os anciãos pensaram que não passava de um truque. Mas alguns rapazes foram suficientemente corajosos para regressar com Tsomo. Uma semana depois, os aldeões aliviados e curiosos regressaram às suas casas.

Tsomo disse: “O Chingdrolmami tratou-nos bem, não nos bateu nem nos gritou, ajudou-nos nas colheitas e na debulha, nunca abusou das mulheres. Nunca ninguém nos tinha tratado assim antes. O meu coração começou a inflamar-se com um grande fogo interior – eu queria ser como eles. Disse-lhes: ‘O que é que posso fazer para ajudar?’ Um oficial respondeu-me: ‘Gostarias de aprender alguma coisa? A ler e escrever?’ Eu nunca tinha sonhado que isso pudesse acontecer.”

Tsomo tornou-se numa estudante do Instituto das Minorias Nacionais em Pequim. Regressou para fazer o perigoso trabalho da reforma agrária na sua região e movimentava-se secretamente de aldeia em aldeia a despertar os servos. Durante a Grande Revolução Cultural Proletária tornou-se vice-presidente da Federação das Mulheres do Tibete.

(Publicado originalmente no jornal Revolutionary Worker / Obrero Revolucionario n.º 749, 27 de Março de 1994)