Durante as duas últimas décadas, o Tibete viu uma acelerada deterioração do seu meio ambiente. O actual governo procura agressivamente extrair os recursos naturais de uma forma tão barata quanto possível.
O Tibete é rico em dezenas de importantes minérios – incluindo cobre, crómio, ouro, bórax e urânio. Há relatos de que o governo está a usar as zonas áridas do Tibete para armazenar resíduos radioactivos – e mesmo a “alugar” o Tibete para os resíduos nucleares de países ocidentais.
Porém, a mais extrema destruição ambiental está a ocorrer nas zonas arborizadas das encostas orientais do planalto tibetano – que contém a segunda maior floresta de “biomassa” da China. Essa zona não fica propriamente na Região Autónoma do Tibete – mas na vizinha província do Sichuan que tem uma importante população tibetana.
Há muito tempo que o abate de árvores é feito nessas florestas orientais e aumentou quando a China se industrializou depois da revolução de 1949 – porém, o abate dessas florestas deu um salto qualitativo depois do golpe de estado revisionista (antimaoista) de 1976.
No Bulletin of Concerned Asian Scholars (Julho-Setembro de 1993), Antonia Shouse escreveu: “Os descontrolados e descoordenados interesses agrícolas e industriais aceleraram rapidamente este declínio nos últimos dez anos”. Montanhas inteiras estão a ser sistematicamente desbastadas – deixando para trás encostas montanhosas despojadas até à rocha. O aumento de lodo nos rios da China tem contribuído para as principais inundações desde 1981. Este desbaste de madeira para venda é típico da forma como o capitalismo pilha as regiões arborizadas dos países oprimidos – como a Amazónia, as Filipinas, a Indonésia, a Nova Guiné e África – e é uma prova da restauração do capitalismo na China em meados dos anos 70. Sem dúvida que, antes de 1976, as transformações revolucionárias levadas a cabo sob a liderança de Mao também afectaram o meio ambiente do Tibete. A construção de estradas, a elevação do padrão de vida do povo tibetano, o desmontar dos tabus budistas contra a caça, o desenvolvimento de um novo sistema de distribuição de água, indústrias ligeiras e irrigação, a abertura de novos prados para produção alimentar, o uso de novos cereais e culturas – tudo isto mudou certamente a relação entre os seres humanos e o meio que os cerca. Embora algumas experiências não tenham resultado e tenham sido cometidos alguns erros, essas medidas essencialmente progressistas serviram o povo.
Algo profundamente diferente se desenvolveu depois da restauração do capitalismo em 1976. Os novos governantes revisionistas da China inverteram a política maoista-socialista de erguer uma indústria ligeira auto-suficiente no interior da China, incluindo no Tibete. Agora, dizem eles, a indústria deve ser erguida segundo critérios “racionais” – ou seja, as leis do lucro. No Tibete, muitas indústrias ligeiras de menores dimensões, que tinham servido o povo e criado uma nova classe operária tibetana, foram encerradas. O foco único dos revisionistas têm sido as indústrias extractivas – minas e madeira – que foram reforçadas em pessoal com operários e técnicos esmagadoramente da maioria étnica da China, os Han (em vez de tibetanos).
Isto é um “desenvolvimento estratégico para regiões atrasadas e ricas em recursos” capitalista clássico. E está a ter os resultados capitalistas clássicos: está a enriquecer a classe capitalista da China, a colocar o país no seu todo nas garras dos mercados e das multinacionais imperialistas mundiais, a distorcer a vida económica do Tibete de uma forma que afecta o modo de vida das pessoas – e que está a deixar no seu rasto um meio ambiente devastado.
O especialista em assuntos da China, Orville Schell, descreveu recentemente que há agora uma “crescente economia de ‘deixar andar’ a nível local... Eles não podem preocupar-se com o meio ambiente por causa da pressão para aumentarem a produção”. Estes eco-crimes estão ao mesmo nível de crimes semelhantes que os revisionistas levam a cabo em todo o resto da China. Orville Schell mostra que a destruição ambiental no Tibete não é pior que a destruição no resto da China – está apenas a começar a ser tão má como noutros lugares.
Schell contrasta estes desenvolvimentos com a abordagem revolucionária no tempo de Mao, dizendo: “Esperava-se que cada pessoa lutasse com todo o seu coração para servir o povo, não a si própria... Os benefícios ambientais deste tipo de anticonsumismo são óbvios... Porém, a situação mudou radicalmente hoje com as reformas de Deng.”
(Publicado originalmente no jornal Revolutionary Worker / Obrero Revolucionario n.º 764, 10 de Julho de 1994)