O Dalai CIA Lama

A 1 de Outubro de 1998, a organização do Dalai Lama emitiu um comunicado em que admitia que durante os anos 60 recebeu da CIA milhões de dólares para enviar bandos armados de exilados tibetanos para o Tibete para minar a revolução maoista. Segundo o New York Times (1 de Outubro de 1998), a organização do Dalai Lama disse ter recebido 1,7 milhões de dólares por ano para armar, treinar e financiar as suas forças contra-revolucionarias. Esse comunicado também revelou pela primeira vez que durante esse período o Dalai Lama foi um agente pago da CIA e recebia dos serviços secretos dos EUA uma remuneração anual de 186 000 dólares.

A guerra contra-revolucionaria tibetana teve início em 1959, quando as forças feudais tentaram fazer uma insurreição contra-revolucionaria no Tibete. O Dalai Lama fugiu do seu trono de deus-rei do Tibete e exilou-se na Índia. A CIA usou então o Dalai Lama como testa-de-ferro das suas operações encobertas no Tibete e no ocidente da China. Mais de uma década depois, a CIA cancelou-a porque essa guerra encoberta tinha sido um total fracasso. O movimento maoista tinha desenvolvido importantes raízes no Tibete durante a reforma agrária e a Grande Revolução Cultural Proletária, enquanto a operação dos lamaístas/CIA tinha suscitado muito pouco apoio entre o povo do Tibete. As forças lamaístas que dirigiam essa operação encoberta eram conhecidas pela sua corrupção e passividade.

Durante 30 anos, os revolucionários maoistas alegaram que o Dalai Lama e a sua família trabalhavam com a CIA e lideravam um exército mercenário de exilados que levava a cabo actos de sabotagem, espionagem e assassinatos no Tibete a partir de bases nos vizinhos Butão e Nepal.

Durante esse mesmo período, o Dalai Lama autopromoveu-se como homem de paz e lutador pela justiça. Muita gente no Ocidente acreditou nisso e foi mesmo influenciada por essa forma extremamente conservadora do Budismo que é o Lamaísmo Tibetano. No Ocidente desenvolveu-se um movimento para o apoiar – frequentemente acreditando que ele representa a causa da autodeterminação e da justiça no Tibete. Ao mesmo tempo, depois da restauração do capitalismo na China após a morte de Mao Tsétung em 1976, o centro do trabalho do Dalai Lama tem sido tentar uma acomodação com os novos governantes revisionistas em Pequim que assegure para ele e os seus seguidores uma posição dentro da sua estrutura de poder.

Agora, é a própria organização do Dalai Lama que confirma que nos anos 60 ele esteve envolvido nas operações militares encobertas da CIA que visavam expandir o domínio dos EUA na Ásia. A única defesa feita no recente comunicado de 1 de Outubro é a de que o Dalai Lama não enriqueceu pessoalmente com esses fundos da CIA. O comunicado alega que ele usou o seu salário da CIA para financiar escritórios em Nova Iorque e Genebra para promover a causa feudal lamaísta. Por outras palavras, admite que o Dalai Lama era um agente pago da CIA, mas nega que era um agente corrupto da CIA.

(Publicado originalmente no jornal Revolutionary Worker n.º 985, 6 de Dezembro de 1998, e no jornal Obrero Revolucionario n.º 986, 13 Dezembro de 1998)