Todo o apoio à greve geral!
1.
Passo a passo, o patronato e as forças do
poder vão impondo aos trabalhadores mais pobreza – menos emprego,
menores salários, baixo poder de compra, pior saúde, pior educação,
menos apoios sociais.
Uma sociedade que promete um futuro pior que o presente não
serve!
O capitalismo mostra-se incapaz de responder às necessidades
de progresso da população – em Portugal, na Europa e no mundo. É
esta a lição principal a tirar do marasmo da economia e das crises
sucessivas que, de ano para ano, têm afundado as condições de vida dos
trabalhadores.
O progresso, sob o capitalismo, é hoje uma miragem.
Aos
trabalhadores interessa um sistema económico e uma organização social
de onde sejam banidos o lucro, a exploração do trabalho, a apropriação
privada da riqueza – os verdadeiros causadores das crises e da
degradação da vida social.
2.
O entendimento entre PS, PSD e CDS tem
resultado numa absoluta continuidade governativa; e tem mostrado uma
notável competência na tarefa de espoliar o trabalho e proteger o
capital.
Só a evasão fiscal ao IRC nos últimos 20 anos, praticada por dois
terços das empresas e tolerada por todos os governos, ultrapassou os
130 mil milhões de euros, mais de onze vezes a “poupança”
prevista no próximo orçamento do Estado.
Em contraste, são os
trabalhadores assalariados que pagam 92% do IRS arrecadado.
Agora, com argumentos de “urgência”, carrega-se a massa trabalhadora com novos sacrifícios. A desigualdade é gritante: os assalariados pagam 66% dos custos da “austeridade”; o aparelho do Estado, 20%; e apenas 14% recaem sobre o capital e os altos rendimentos.
A conclusão é evidente: trata-se de uma política com o firme propósito de sacrificar os trabalhadores e defender as classes dominantes.
3.
A resposta a este ataque não está em
propor “soluções inteligentes” para a crise. Nem a violência das
medidas pode ser travada com tentativas de concertação.
Patrões e forças do poder sabem onde está a fonte de riqueza que os alimenta. Não é por falta de melhores ideias que espoliam os assalariados.
Também não é por falta de protestos dos trabalhadores que o rumo político do país não se alterou. É por, ainda assim, faltar a capacidade para obrigar a uma mudança de fundo. Não basta reclamar mudanças – é preciso reunir forças com determinação para as impor.
Tudo depende da unidade e do pulso que os trabalhadores puserem na luta contra as decisões que os atingem. Só isso travará as medidas do bloco patronal PS/PSD/CDS. É preciso obrigar o poder e o patronato a entrarem em conta e a temerem a resposta dos assalariados. É preciso lutar na perspectiva de rejeitar os sacrifícios e forçar o capital a pagar a crise.
4.
Os próximos anos vão ser duros. Para
responder às medidas já aplicadas, assim como àquelas que estão na
forja, a greve geral terá de ser, não o culminar, mas o começo de um
novo ciclo de luta.
Estão em jogo o presente e o futuro dos trabalhadores. Há que enfrentar os patrões em todos os locais de trabalho, recusar o empobrecimento, repudiar a mentira dos sacrifícios “partilhados”, não esperar nada nem dos governos nem do Estado, perder o respeito por este regime de desigualdade e de injustiça, pôr em causa a máquina de exploração do capitalismo.
5.
Quatro medidas para que o capital pague a
crise
I. Trabalho para todos
- Ponto final nos despedimentos.
- Proibição do lay-off e revogação do Código do Trabalho.
- Combate ao desemprego, ao subemprego e ao emprego precário
reduzindo o horário de trabalho sem reduzir salários.
II. Combate à pobreza e à degradação do nível de vida
- Aumento dos salários e pensões, redução dos leques salariais.
- Uso exclusivo dos dinheiros do Estado e da Segurança Social para
apoio ao emprego e ao bem-estar dos trabalhadores. Nem mais um tostão
para banqueiros e especuladores.
- Corte drástico nas despesas militares, regresso das tropas em
missões no estrangeiro.
III. Mais justiça social em vez de polícia
- Apoio social aos bairros pobres e às populações imigrantes.
- Aplicação de um forte imposto sobre as grandes fortunas.
- Julgamento e condenação dos especuladores, dos corruptos e dos
patrões que promovam falências fraudulentas. Expropriação das suas
fortunas e entrega desses fundos à Segurança Social.
- Fim dos privilégios (pensões, indemnizações, carros, etc.) dos
administradores, gestores, autarcas e detentores de cargos políticos.
- Fim dos prémios e bónus dos gestores públicos.
IV. Unidade popular contra os partidos do capital
- Derrotar a política terrorista do bloco patronal PS/PSD/CDS.
- Trazer para a rua o protesto dos trabalhadores.
Colectivo de Comunistas Revolucionários
Colectivo Mudar de Vida
24 de Novembro de 2010