Declaração do CG da AIT sobre a guerra civil em França em 1871
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ANEXOS

I

«A coluna dos prisioneiros parou na Avenida Uhrich e foi ordenada em quatro ou cinco fileiras, no passeio, em frente à calçada. O general marquês de Galliffet e o seu estado-maior militar começaram uma inspecção pela esquerda da fileira. Descendo lentamente e observando detidamente as fileiras, o general parava daqui, dacolá, tocando nos ombros dum homem ou mandando sair da fila. Na maior parte dos casos sem outra explicação, o indivíduo assim escolhido era empurrado até ao centro da calçada, onde uma pequena coluna suplementar foi em breve assim formada... Havia larga margem para erro. Um oficial montado designou ao general Galliffet um homem e uma mulher em razão de alguma ofensa particular. A mulher correndo para fora das filas, lançou-se de joelhos, e, com os braços estendidos, clamou pela sua inocência em termos apaixonantes. E então, com o rosto completamente impassível e um porte hirto o general disse-lhe: «Senhora, eu frequentei todos os teatros de Paris, a vossa representação não tem qualquer efeito sobre mim. Não vale a pena representar a comédia...» Esta não era pois uma boa altura para se ser nitidamente ou maior, ou mais sórdido, ou mais limpo, ou mais feio do que o vizinho. Um indivíduo, em particular, me impressionou vivamente, porque deveu a sua rápida despedida das dores deste mundo ao facto de ter o nariz quebrado... Um pelotão de execução se encarregou de mais de uma centena de pessoas assim escolhidas, enquanto que a coluna retomava a marcha deixando os condenados para trás. Alguns minutos depois, um fogo rolante começou à nossa retaguarda, e continuou por mais de um quarto de hora. Era a execução destes infelizes tão sumariamente condenados». (Correspondência de Paris do Daily News, de 8 de Junho).

Este Galliffet, «O souteneur da sua mulher, tão célebre pelas suas desavergonhadas exibições nas orgias do segundo Império», mereceu durante a guerra a reputação dum Ensigne Pistolet francês.

«Le Temps1, que é um jornal prudente, e que não é muito apreciador de sensações, narra uma horrorosa história de pessoas mal executadas e enterradas antes que a sua vida se extinguisse. Um grande número delas foram enterradas atrás da praça Saint-Jacques-la-Boucherie, alguns deles, muito à superfície. Em pleno dia, o barulho das ruas animadas impedia de ouvir alguma coisa, mas, na calma da noite, os habitantes das casas das vizinhanças foram acordados por gemidos longínquos, e de manhã encontraram uma mão crispada a rasgar a terra. Deu-se ordem, em consequência, de iniciar as exumações... Que muitos feridos tenham sido enterrados vivos não tenho a mínima dúvida. Quando Brunel foi executado com a sua mulher, a 24 de Maio último, no pátio de uma casa da praça Vendôme, os corpos permaneceram lá até à tarde de 27. Quando os coveiros vieram para levantar os cadáveres, encontraram a mulher ainda com vida, e levaram-na de ambulância; ainda que atingida com quatro balas ela está. agora fora de perigo». (Correspondência de Paris do Evening Standard, de 8 de Junho).

II

A carta que se segue apareceu no Times2 de Londres a 13 de Junho.

Aos editores do Times:

Senhor,

A 6 de Junho de 1871, M. Jules Favre enviou uma circular a todas as potências europeias, fazendo-lhes apelo para uma caça de morte contra a Associação Internacional dos Trabalhadores. Algumas notas bastarão para caracterizar o documento.

No próprio preâmbulo dos nossos estatutos, declara-se que a Internacional foi fundada «a 28 de Setembro de 1864, num meeting público realizado em St. Martin's Hall, Long Acre, Londres». Por razões que lhe são particulares, Jules Favre marca a data da sua origem para antes de 1862.

Com o objectivo de explicar os nossos princípios, ele, declara citar «a sua folha (da Internacional) de 25 de Março de 1869». E o que é que cita ? A folha de uma sociedade que não é a Internacional. A este tipo de manobra, já havia recorrido quando, ainda jovem advogado, teve de defender o jornal Le National processado por Cabet por difamação. Ele fingiu então ler extractos dos panfletos de Cabet, lendo interpolações da sua lavra, expediente descoberto na própria sessão do tribunal e que, não fora a indulgência de Cabet, teria levado à expulsão de Jules Favre da barra de Paris. De todos os documentos citados por ele como documentos da Internacional, nenhum pertence a Internacional. Ele diz, por exemplo: «A Aliança declara-se ateia, di-lo o Conselho Geral reunido em Londres em Julho de 1869». O Conselho Geral nunca publicou semelhante documento. Pelo contrário, publicou um documento em que ataca os estatutos originais da Aliança, a Aliança da democracia socialista de Génova, citada por Jules Favre.

Dum extremo a outro da sua circular, que pretende em parte também ser dirigida contra o Império, Jules Favre não faz senão repetir sobre a Internacional as invenções policiais dos acusadores públicos do Império, e que se despedaçaram miseravelmente, perante os próprios tribunais de justiça desse Império.

Sabe-se que, nas suas declarações (de Julho e de Setembro último) sobre a recente guerra, o Conselho Geral da Internacional denunciou o plano prussiano de conquistas e expensas da França. Mais recentemente, M. Reitfinger, secretário pessoal de Jules Favre, fez apelo, ainda que em vão, a alguns membros do Conselho Geral para promover por intermédio do Conselho Geral uma manifestação contra Bismarck, em favor do governo da Defesa Nacional; eles foram particularmente instados a não lhe chamar República. Preparativos de demonstração foram feitos com vista à chegada de Jules Favre a Londres, certamente com a melhor das intenções, a despeito do Conselho Geral, na declaração de 9 de Setembro, ter finalmente posto em guarda os operários de Paris contra Jules Favre e os seus colegas.

O que diria Jules Favre se por sua vez a Internacional enviasse uma circular sobre Jules Favre a todos os governos da Europa, chamando a sua particular atenção sobre os documentos publicados em Paris pelo falecido M. Millière?

Ao vosso dispor

John Hales,

Secretário do Conselho Geral da

Associação Internacional dos Trabalhadores

Londres, 12 de Junho de 1871

Num artigo sobre a «Associação Internacional e os seus fins», o Spectator (de 24 de Junho) de Londres como piedoso que é, cita, entre outras citações semelhantes, e ainda mais completamente que Jules Favre, o documento acima mencionado da «Aliança», como obra da Internacional, fazendo isso 11 dias depois da publicação da réplica no Times. Tal não nos surpreende. Há muito tempo que Frederico, o Grande, gostava de dizer que de todos os jesuítas, os jesuítas protestantes eram os piores.


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