O DEVER DE RECUSAR AS MENTIRAS DO PODER

Por Emanuel André

O ensino é um dos pilares mais importantes de qualquer sociedade, mas não neste país! O ensino em Portugal caminha, no actual estado moribundo, para um fim que certos carrascos têm vindo a anunciar e apoiar. Quem são estes carrascos?

Raciocinando e reflectindo, chega-se à conclusão que são todos aqueles que por motivos económicos próprios (parasitas que vêem a escola como forma de obter altos lucros para as suas contas privadas) lutam pelo fim do ensino público, defendendo o privado. Mas igualmente grave é existirem "estudantes" que se unam a estes abutres, para pactuar, apoiar, ainda que de forma, muitas vezes, sub-repticiamente, pelo fim do ensino público.

As actuais pseudo-associações de estudantes não são mais do que meras associações de traidores que procuram apenas refrear a luta onde ela possa realmente surgir, dividir, para assim quebrar definitivamente a possibilidade de mudança que sirva os interesses dos estudantes.

Dos sucessivos desgovernos, perdão, governos, já nada há esperar, pois definitivamente mostraram a verdadeira face. Não lhes interessa investir no ensino, preferindo que este caia de podre. Investir sim, mas na criação de universidade e institutos privados, dando-lhes todo o seu apoio e incentivos. Isto para que a educação esteja só ao alcance das classes privilegiadas que o podem pagar, assim se afasta os filhos dos camponeses e dos operários, enfim, de todos aqueles que mal têm dinheiro para suprir a suas necessidades mais básicas de sobrevivência.

Os filhos de quem trabalha, de quem é explorado, no entender da classe dominante, não devem ousar ou sonhar estudar com os seus próprios filhos. Assim, só estudantes esclarecidos podem romper com o actual estado de coisas. Com dirigentes como o novo presidente da Associação Académica de Lisboa que, pelos vistosos, não tem competência para absolutaemente nada, torna-se difícil lutar por aquilo que os estudantes têm direito, para mais um presidente que se diz contra as manifestações estudantis, contra o partidarismo no seio académico, logo ele filiado no PSD. A grande verdade é que os estudantes portugueses têm posto lobos a guardar e a zelar rebanhos ordeiros e silenciosos.

Não tenhamos ilusões, têm sido as consecutivas associações de estudantes - eleitas somente por uma pequena percentagem dos estudantes, já que os outros se estão cagando - algumas das lanças mortais usadas por todos os governos que estão a decapitar o futuro da educação em Portugal. Referindo em particular as eleições que decorreram na AA-C que não foram bem eleições, mas sim um acordo de cavalheiros e madames. É inacreditável o à vontade destes indivíduos quando não se tem uma única ideia que verdadeiramente revolucione a luta dos estudantes. Podia-se trocar o X pelo W e manter as pessoas que nada se iria alterar, na medida em que estes senhores apenas pensam em gerir os chorudos lucros gerados pelas "festas" estudantis e outros apoios.

Já que se fala em questão de dinheiros, segundo sei, a Associação de Estudantes do Porto tem lucros de cerca de 70 mil contos anualmente em tais festas, enquanto a AA-C, todos os anos, apresenta relatórios miseráveis. Não vale a pena pensar muito, está tudo claro como água cristalina. Aos dirigentes estudantis apenas interessa o protagonismo e deter o controlo sobre os estudantes, mais tarde, o governo, seja qual for a sua cor, recompensá-los-á principescamente. Não ficará, com certeza, nenhum no desemprego ou a plastificar cartões na via pública. Não devemos ter pena, pois estes indivíduos estão já a aprender outra arte...

Esta é uma sociedade anestesiada e o meio estudantil não foge à regra. Os jovens e os estudantes em geral são o futuro - é urgente despertar - e eu acredito que, mais cedo ou mais tarde, irão despertar. Todos temos de ter uma participação activa no desenvolvimento e na construção de uma sociedade justa que defenda os interesses do povo, o actual sistema está podre e irá ruir definitivamente, portanto, edifiquemos uma nova forma de ensino onde todos estudem aquilo para o qual estão vocacionados. O ensino tem de ser gratuito e abrangente a todas as classes sociais já que elas existem.

Peço desculpa se neste pequeno texto não fui demasiado crítico, sei que não o fui. Desculpem-me igualmente por não ter usado termos muito técnicos, mas não quero (se porventura esta fanzine chegar à AAL e ao seu presidente) que ninguém fique á nora.

Estudantes, só uma união aos que trabalham, sejam operários, camponeses ou outros, dará a força necessária para a ansiada mudança. E não duvido que ela irá acontecer.