"O povo mais antigo da Europa, com uma das línguas mais antigas do mundo. Um povo que vive ocupado há cerca de três séculos pelo Estado espanhol e pelo Estado francês mas que nunca se rendeu nem deixou de resistir. O retrato actual é um retrato manchado de sangue: o fim do franquismo não acabou com a repressão fascista, nem deu ao povo basco o direito de escolher a independência ou a dependência e, acima de tudo, não lhe deu razões para parar a luta. Nas prisões espanholas e francesas estão confinados aproximadamente mil presos políticos bascos, todos eles a milhares de km de casa. Fora os cidadãos presos todas as semanas que, após dias de incomunicação, vexações, humilhações e bárbaras torturas físicas e psicológicas, são soltos por nada se comprovar contra eles. O Estado espanhol ilegalizou um partido político que costuma ter entre os 10% e os 30%, o Batasuna, partido da esquerda independentista basca; ilegalizou jornais e rádios pela expressão de determinados ideais políticos; ilegalizou organizações juvenis, sociais e humanitárias; ilegaliza diariamente um povo por querer romper as amarras da opressão, por exigir paz e liberdade. Cabe a todos nós denunciar a verdade, cabe a todos nós encetar a luta solidária e internacionalista." (De um panfleto da ASEH)
A meio do mês passado, esteve em Portugal, a convite da Associação de
Solidariedade com Euskal Herria (ASEH), uma delegação da organização
independentista basca Batasuna. A sua estadia seguiu-se a outras
visitas à Galiza, Catalunha, Itália, França, Irlanda, Venezuela,
Argentina, Cuba e outros países.
A visita da Batasuna insere-se numa campanha internacional de denúncia da situação do povo basco, impedido de exercer o seu direito à autonomia e à independência e reprimido pelo Estado espanhol. Entre os ataques aos princípios básicos da democracia que a burguesia apregoa, está a ilegalização de todas as organizações da esquerda radical do país basco, incluindo a Batasuna, impedida de participar nas eleições do próximo dia 17 de Abril para a Comunidade Autónoma do País Basco. Os bascos contactaram vários partidos e organizações e foram ainda recebidos por Mário Soares.
No dia 17 de Março, pelas 18 horas, meia centena de pessoas, apesar do
silêncio da comunicação social, associaram-se à delegação na Avenida
da Liberdade, frente ao consulado espanhol em Lisboa, exigindo
liberdade e independência para o povo basco. À noite, num jantar no
Bairro Alto, perante uma sala repleta, os membros da delegação puderam
agradecer a solidariedade e o estímulo que encontraram em Lisboa,
falaram na ligação entre o povo basco e o povo português e mostraram o
seu empenho em construir um País Basco livre e socialista.
8 de Abril de 2005