Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 5 de dezembro de 2017, aworldtowinns.co.uk

5ª Semana Nacional de Resistência no México: “Fim à guerra contra o povo!”

O seguinte texto é do Aurora Roja, voz da Organização Comunista Revolucionária (OCR), México (aurora-roja.blogspot.com). Foi ligeiramente editado devido à sua extensão.

Estão a matar-nos, a fazer-nos desaparecer, a torturar-nos e a reprimir-nos em números sem precedentes, às mulheres, aos ativistas, aos jornalistas, aos jovens, aos imigrantes, aos pobres, às pessoas LGBT e ao povo em geral. Temos de resistir, temos de nos unir, temos de dizer basta, temos de acabar com esta guerra contra o povo. Não podemos deixar que levem a deles avante, que nos reduzam a pessoas amedrontadas, paralisadas e desmoralizadas, esmagadas sob as botas dos que estão no topo. Não! Precisamos de redobrar a luta e de forjar um movimento independente que se oponha ao estado, às classes dominantes e ao sistema criminoso que proclama sem vacilações a sua natureza criminosa, e de nos empenharmos em desenvolver a consciência, a combatividade e a organização do povo para acabar com esta guerra reacionária e contribuir para finalmente pormos fim ao atual sistema desumano em que vivemos.

Em resposta ao “Apelo Urgente à Ação na 5ª Semana Nacional de Resistência” de 6 a 12 de novembro de 2017, houve várias ações na Mixteca oaxaquenha [uma zona no centro sul do México que faz parte do território do povo indígena mixteca] e na Cidade do México, além de agitação e distribuição de panfletos no estado de Puebla e na cidade de Oaxaca, com os lemas centrais de “Fim à guerra contra o povo!” e “O Estado não é negligente, é criminoso!”.

Um importante avanço feito este ano foi a participação de um leque mais amplo de forças na Semana de Resistência: a Rede Nacional de Resistência “Fim à Guerra Contra o Povo!” (RNRAGCP), a Comissão de Professores para os Direitos Humanos, do Sindicato Nacional de Trabalhadores do Ensino – Secção 22 (COMADH), o Movimento Popular Revolucionário (MPR), a Organização Comunista Revolucionária, México (OCR,M), a Frente Popular Francisco Villa Independente (FPFVI), Norma Esther Andrade, a União Popular de Vendedores Ambulantes “28 de Outubro” (UPVA-28), a Fundação Carmen Zamora, a Assembleia Geral de Trabalhadores (AGT), o Comité e a Coordenadora Setorial do Sindicato Nacional de Trabalhadores do Ensino – Secção 22, Setor 01 Tlaxiaco, e os Estudantes da Escola Normal [de formação de professores] Experimental Teposcolula.

Além de distribuírem milhares de cópias do Apelo à Semana Nacional de Resistência, também foram distribuídos milhares de exemplares de uma análise da Organização Comunista Revolucionária, México, sobre a guerra contra o povo que já resultou em mais de 200 mil assassinatos, 30 mil desaparecidos e 7 feminicídios por dia, uma espécie de “contra-insurgência preventiva em que estão a matar centenas de milhares de pessoas, ainda antes de ter havido uma insurreição popular”.

Em Oaxaca, a Semana começou com um fórum de denúncia na Escola Normal Experimental Teposcolula, com a participação dos estudantes, dando as boas-vindas e com uma estudante a fazer o papel de mestre-de-cerimónias. No início, ela leu partes do Apelo e durante o decurso do fórum, que incluiu apresentações por parte de um representante da Coordenadora Setorial de Tlaxiaco, de uma ativista do Comité de Defesa do Ensino, de um professor representante do comité da Escola e de um ativista do Movimento Popular Revolucionário. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas, a maioria delas estudantes do sexo feminino, algumas com os seus bebés.

Na quinta-feira, houve uma projeção, na esplanada municipal de Tlaxiaco, de um documentário sobre o massacre feito por polícias federais e estatais em Nochixtlán, Oaxaca, a 19 de junho de 2016, com cenas filmadas, testemunhos de feridos, crianças que sofreram devido ao gás lacrimogéneo e uma pessoa que perdeu o pai devido às balas da polícia. Antes de anoitecer, professores e ativistas do MPR colocaram um pano à volta da esplanada para pendurar cartazes e denúncias de diversos crimes cometidos pelas forças militares e pelos polícias federais e estatais como os de Ayotzinapa, Nochixtlán, Tanhuato, Tlatlaya e outros, bem como outros crimes como os feminicídios que as instituições do Estado estão a encobrir. Estiveram cerca de cem pessoas em diversos espaços a ver a projeção do documentário, entre estudantes, professores e outras pessoas.

Na sexta-feira, 10 de novembro, houve um entusiástico evento político-cultural com a participação de jovens da cultura urbana, break dance, hip-hop e rap, com um outro pano de cartazes de denúncias e faixas com os dois lemas principais da Semana e uma outra, do MPR: “Do que a humanidade precisa é da revolução e da nova síntese do comunismo!”. Entre as diversas exibições culturais, foram lidas partes do Apelo.

A semana encerrou no sábado, 11 de novembro, com uma concentração e manifestação desde a praça de Tlaxiaco até à procuradoria pública, com a participação de cerca de 200 manifestantes, principalmente professores e professoras. A manifestação foi combativa. Logo desde o início, foi feita agitação e feitas, por parte de professores e de ativistas do MPR, denúncias dos crimes das forças do Estrado. Foram gritadas palavras de ordem como: “Fim à guerra contra o povo! O Estado não é negligente, é criminoso! Que querem os caídos de Nochixtlán? Justiça! Que querem os estudantes desaparecidos de Ayotzinapa? Justiça! Que querem as mulheres violadas e assassinadas? Justiça! O problema é o sistema, a solução é a revolução! Face ao estado criminoso, resistência nacional!” Houve pessoas a sair das lojas para verem a manifestação e receberem os panfletos.

Na Cidade do México, a Semana começou com um fórum no campus de San Lorenzo Tezonco da Universidade Autónoma da Cidade do México, com um estudante como moderador. No fórum, Carmen Zamora denunciou os crimes contra as mulheres em Ecatepec, Estado do México, salientando que este é um estado criminoso porque encobre os agressores, e quando as mulheres denunciam os responsáveis dessas instituições, elas passam a ser ameaçadas e molestadas pela polícia. Também disse, que através da mobilização do povo, conseguiram resgatar uma adolescente que tinha sido sequestrada e forçada à prostituição, ainda que as instituições de (in)justiça tenham ignorado o caso, encobrindo os criminosos.

Também falou uma companheira representante dos pais e mães dos 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos. Ela disse que, passados mais de 3 anos, continuam a denunciar e a lutar contra o Estado que é culpado do assassinato de 3 estudantes e do desaparecimento dos outros 43. Nesta luta foram conhecidos muitos mais casos em que o Estado está a cometer crimes como “os feminicídios que estão a aumentar no país e o desaparecimento e assassinato de muitos jovens. Em Guerrero, isso está a acontecer e as pessoas abandonam as suas comunidades porque já não podem aí viver.” Ela salientou que o Estado é criminoso porque, no caso dos estudantes assassinados e desaparecidos, “ficou demonstrado e sabe-se que o exército e a polícia estiveram envolvidos em tudo isso”. Ela apelou a que se apoiasse a luta e salientou: “Nós estamos decididos a chegar onde tenhamos de chegar, apelamos a que continuem a acompanhar-nos para exigir justiça, castigar os culpados e descobrir o que se passou com os nossos jovens, para se saber a verdade.”

Um companheiro do Movimento Popular Revolucionário falou sobre a dimensão desta guerra contra o povo. Por exemplo, durante o governo do criminoso Cesar Duarte, dizia-se que só havia cerca de 500 desaparecidos, mas soube-se que chegavam a ser 3600. Este Estado não é negligente, é criminoso, porque muitas vezes é ele que comete estes crimes ou que os encobre: ele serve o sistema predominantemente capitalista em que um punhado de grandes capitalistas nacionais e estrangeiros e de proprietários rurais exploram e oprimem a maioria do povo. Nesta situação, é necessário e possível gerar uma resistência que se oponha a este sistema e ao seu Estado. Para acabar definitivamente com estes crimes e tantos outros que estão a ser cometidos contra o povo, é necessária uma revolução comunista. Uma revolução comunista que possa criar uma nova sociedade socialista e, para essa luta revolucionária, contamos com a orientação da nova síntese do comunismo de Bob Avakian e também contamos com a Organização Comunista Revolucionária, México.

Do auditório, uma pessoa disse: “Falou-se da fonte do que está a causar todos estes crimes. Que esperam que resulte destes casos, as companheiras pensam que esses crimes vão ser resolvidos, e todos os outros? Ou é necessário ver a raiz das coisas para se poder acabar com eles?” Em resposta a esta pergunta, a representante do MPR afirmou que é importante que nos ponhamos de pé e lutemos juntamente com os milhares de pessoas que já o estão a fazer, e podermos gerar um movimento de crescente resistência que afirme sem vacilações que o estado é criminoso e que se oponha a esse estado. É necessário que haja combatividade e luta. E isto contribui para a revolução comunista, que é a única coisa que pode acabar definitivamente com estes e muitos mais crimes que estão a ser cometidos contra o povo. São necessárias as duas coisas: uma resistência que se oponha a estes crimes do Estado e preparar urgentemente a revolução que possa libertar a humanidade deste sistema capitalista-imperialista.

Também se realizou uma concentração por justiça para Carlos Sinuhe Cuevas Mejía (um assassinato político que o governo da Cidade do México continua a tentar encobrir) e para Victoria Pamela Salas (uma jovem brutalmente assassinada em setembro passado) a 10 de novembro na Procuradoria-Geral de Justiça da Cidade do México [PGJCDMX]. Teve a participação de cerca de 60 pessoas, entre as quais membros da Assembleia Geral dos Trabalhadores e do MPR e familiares de Diana, uma jovem assassinada em Chimalhuacán, um município mexiquense nos arredores da Cidade do México. Frente à PGJCDMX, todos os oradores denunciaram como as autoridades, sob diversas formas, têm vindo a encobrir os criminosos. Entre outros, falou Lourdes Mejía, a mãe de Carlos, que há seis anos vem reclamando justiça. Também estiveram presentes os familiares de Luís Roberto Malagón. O pai dele denunciou as autoridades da Cidade do México e da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), as quais tentam encerrar o caso da morte dele como sendo suicídio, quando há indícios de assassinato. Tem havido uma luta para exigir que se saiba a verdade sobre o crime contra Luís Roberto Malagón, um estudante da Faculdade de Direito encontrado inconsciente na Cidade Universitária e que morreu a 23 de agosto de 2017 depois de ter estado em coma durante cinco dias. O pai dele pediu a todos o apoio a esta luta contra as autoridades que encobrem este crime. A mãe dele fez o mesmo no encerramento da Semana à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Semana de Resistência culminou na Cidade do México com uma concentração e manifestação desde as Belas Artes até à PGR, em que participaram cerca de 65 pessoas, entre as quais moradores da Frente Popular Francisco Villa Independente, bem como algumas pessoas da Assembleia Geral dos Trabalhadores e do MPR. Lourdes Mejía e os familiares de Luís Roberto Malagón também estiveram presentes.

No decurso da divulgação da Semana Nacional de Resistência, foram conhecidos outros crimes, como por exemplo em Veracruz, onde a polícia e o exército participaram no desaparecimento e assassinato de vários jovens. Num desses casos, oito jovens, todos eles desportistas, foram detidos pela polícia em 2009 e até agora continuam desaparecidos. A polícia negou ter detido ou conhecer os jovens. Desde então, as pessoas têm lutado contra estas forças do Estado que encobrem o seu próprio crime difamando a vítima: elas repetem que ele “talvez andasse metido nalguma coisa”. São os próprios familiares que estão a investigar o caso e que estão a encontrar provas que demonstram que a polícia é culpada e que desmentem a criminalização de tantos jovens assassinados e feitos desaparecer.

Num outro caso em Veracruz, uma mulher relatou que um jovem se apresentou às autoridades civis para denunciar que enfrentava ameaças do crime organizado devido à recusa dele a se envolver com eles. Pouco depois, alguns militares foram ter com ele para lhe dizer: “Tu não sabes nada!” Quando ele insistiu que tinha informações e que tinha sido ameaçado, os soldados elevaram o tom, ameaçando-o: “Tu não sabes nada!” Estes militares, bem como os polícias e as autoridades civis, são criminosos conluiados com outros criminosos. E isto não acontece só em Veracruz, acontece de diferentes formas em todo o país.

(Imediatamente antes da Semana de Resistência, a 4 de novembro, as pessoas manifestaram-se nas ruas de Puebla, de Tlaxiaco e da Cidade do México, gritando “Fora Trump, Fora [o presidente mexicano] Peña Nieto, Abaixo o Sistema Todo!”, em unidade com as manifestações militantes em 24 cidades dos Estados Unidos que exigiam: “Este pesadelo tem de terminar: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!”)